Debate sobre a gordofobia no Brasil
Enviada em 10/08/2021
O filme “Dumplin”, da rede de streaming Netflix, aborda a história de Willowdean Dickson, uma jovem acima do peso e bastante confiante com o próprio corpo, que decide entrar em um concurso de beleza como forma de protesto devido à gordofobia causada pelas pessoas ao seu redor. Fora da ficção, esse problema é enfrentado por muitas pessoas, as quais são incompreendidas, rechaçadas e até humilhadas por estarem fora dos padrões de beleza impostos. Dessa forma, debater sobre a gordofobia no Brasil é importante, uma vez que há muito preconceito e estigmatização com as pessoas obesas.
Em primeira análise, vale ressaltar que a aversão aos indivíduos gordos é algo presente na sociedade brasileira. Nessa perspectiva, o preconceito com as pessoas obesas é influenciado midiaticamente, visto que as publicidades usam predominantemente corpos magros, estimulando os telespectadores a acreditarem que esse ideal de beleza é o único aceitável. Além disso, quando corpos gordos são explorados nos meios de comunicação, muitas vezes, é no sentido da ridicularização. Exemplo disso foi o episódio “Teste de Covid”, do canal de youtube Porta dos Fundos, o qual ridicularizava um sujeito que ia fazer um exame, devido à sua condição corporal. Com isso, o preconceito é manifestado e, posteriormente, reproduzido pelas pessoas que assistem. Dessa forma, pode assemelhar-se à “Teoria do Habitus”, do filósofo Pierre Bourdieu, o qual acreditava que os comportamentos são neutralizados por acontecerem de forma anterior e exterior a quem os comete: os indivíduos interiorizam o que está no meio e depois repassam, exteriorizando. Assim, a gordofobia é perpetuada na sociedade.
Ademais, outro fator que precisa ser debatido no tocante à gordofobia é a estigmatização dos indivíduos obesos pela sociedade. Nesse viés, é importante elucidar que o corpo gordo foi rotulado como inferior e até como incapaz, contribuindo com a margininalização dessas pessoas, uma vez que elas se sentem excluídas do coletivo. Dessa forma, foi criado o movimento “Corpos Livres”, pela ativista Alexandra Gurgel, com o intuito de romper tais estigmas, por intermédio da divulgação de corpos diversos nas redes sociais. Logo, movimentos desse tipo contribuem para a aceitação da pluralidade dos corpos, levando ao entendimento que o aspecto físico não pode ser um limitador de capacidade.
Portanto, debatido sobre a gordofobia no Brasil, é preciso medida que vise acabar com essa prática. Para isso, urge que o Ministério da Cidadania, órgão responsável pela inclusão social, promova a representatividade das pessoas obesas. Essa ação será efetivada por meio de campanhas televisivas que divulguem o movimento “Corpos Livres”, debatendo com ativistas do movimento sobre a necessidade da aceitação da pluralidade, a fim de abranger outros públicos, além das redes sociais. Com efeito, será possível romper os preconceitos e os estigmas associados às pessoas gordas.