Debate sobre a gordofobia no Brasil

Enviada em 10/08/2021

No período do Antigo Regime, um corpo mais volumoso era sinônimo de beleza, riqueza e saúde, o que é evidenciado por vários quadros renascentistas. Porém, hodiernamente, o Brasil apresenta um grande número de pessoas com obesidade, considerada doença pela Organização Mundial da Saúde (OMS), que, infelizmente, são vítimas de gordofobia, o que prejudica ainda mais o bem-estar desses indivíduos. Essa discriminação é fruto do estereótipo de beleza do mundo capitalista e, consequentemente, afeta o estado psicológico da população que apresenta sobrepeso.

De início, ao se discutir acerca da gordofobia é preciso analisar as raízes desse crime na sociedade brasileira contemporânea, uma vez que essa adversidade está diretamente ligada a um padrão de beleza pré-estabelecido. Nesse sentido, essa padronização está diretamente relacionada com o conceito de Indústria Cultural do filósofo Adorno, tendo em vista que, segundo essa teoria, a mídia e as grandes marcas têm o poder de criar ideologias que as favorecem economicamente. Dessa forma, os indivíduos, que são influenciados por esses interesses capitalistas, começam a não só acreditarem que precisam ser magros para serem aceitos, mas também acham que os outros devem se encaixar nesse padrão. Por conseguinte, pessoas que apresentam sobrepeso, sinônimo de ser feio atualmente no Brasil, passam a sofrer várias ofensas.

Como consequência, a população que é vítima desse crime está sujeita a uma série de doenças mentais, o que pode intensificar ainda mais esse problema. Nesse contexto, segundo a OMS, 30% dos obesos que tentam emagrecer têm depressão, enfermidade essa que, assim como a ansiedade, apresenta como sintoma o ganho de peso. Desse modo, é notório que o brasileiro que sofre ataques gordofóbicos e tenta se adequar ao padrão de beleza moderno tende a apresentar patologias psicológicas, que afetam ainda mais a saúde física desse indivíduo. Logo, apesar de emagrecer ser algo bom para o corpo humano, o preconceito faz com que as pessoas queiram perder gordura não para serem saudáveis, mas sim para encaixarem no padrão estético.

Portanto, a gordofobia é uma adversidade a ser combatida no Brasil. Para isso, o Ministério da Educação deve descontruir o estereótipo de beleza que causa esse problema, por meio de exposições artísticas em escolas, as quais tenham em seus acervos obras de artistas brasileiros que valorizem a beleza do corpo volumoso, assim como foi feito pelos artistas renascentistas. Dessa maneira, os jovens não vão replicar o padrão de beleza construido pela “Indústria Cultural”. Ademais,  o Ministério da Saúde precisa esclarecer a população a respeito da obesidade, por meio de debates divulgados em rede nacional, a fim de alertar a população quanto aos riscos físicos e mentais associados a ela.