Debate sobre a gordofobia no Brasil

Enviada em 10/08/2021

De acordo com a Constituição Federal, todo brasileiro tem o direito à saúde, tanto física quanto mental. No Brasil do século XXI, o preconceito contra obesos, em vez de ser combatido seriamente, tem privado muitos indivíduos dessa prerrogativa da Carta Magna. Essa situação tem se agravado no país por causa da falta de políticas públicas eficientes por parte do Estado, além da negligência da população, que pouco se aproveita dos grandes avanços das telecomunicações para combater a gordofobia. Logo, esse problema é inconcebível e merece um olhar crítico de enfrentamento.

Diante disso, Victor Hugo - inspiração da Geração Condoreira do Romantismo nacional - ao afirmar que ao poupar a vida do lobo, sacrifica-se a ovelha, estabeleceu uma relação atemporal e universal de causa e consequência. Nesse sentido, o Estado brasileiro, ao não combater eficientemente a gordofobia, preserva a natureza e a força do problema, as quais se configuram como o lobo, enquanto a parcela da população que sofre com esse preconceito é sacrificada, assim como a ovelha na metáfora. Dessa forma, há, no país, uma tendência de crescimento nos casos de doenças psicológicas, como a depressão, muitas vezes acompanhadas por bulimia e anorexia, exemplos de distúrbios alimentares, derivados da total falta de aceitação dessas pessoas consigo mesmas por causa dessa discriminação.

Ademais, conforme Jurgen Habermas, “Ação Comunicativa” é a capacidade de um indivíduo expor e lutar pelo que acredita ser melhor para a comunidade, exigindo ampla interatividade prévia. Nesse sentido, a exacerbada dependência tecnológica para interação social das gerações mais novas colabora para um pior desenvolvimento dessa capacidade, consequentemente, esse grupo etário dialoga menos com o diferente e tende a carecer de criticidade. Dessa maneira, a luta contra a gordofobia, ao passar do tempo, é cada vez mais desvalorizada, pois conta com menos disseminação e conscientização de outras camadas da sociedade acerca do quão nociva é e da sua ineficiência em combater a obesidade. Faz-se, por conseguinte, imprescindível a dissolução de suas causas e efeitos.

Depreende-se, portanto, que é indubitável a necessidade da adoção de medidas combativas e preventivas em relação à gordofobia no Brasil. Sob essa ótica, é dever do Ministério da Saúde, em parceria com o Ministério da Educação e Secretarias Estaduais de Educação, promover a conscientização e o respeito à diversidade, por meio de encontros recorrentes entre alunos de escolas de ensino primário e secundário públicas e estagiários voluntários da área de saúde cedidos por universidades federais e estaduais de região, a fim de facilitar a efetivação do direito constitucional na vida dessas pessoas, além de desenvolver melhor a ação comunicativa das próximas gerações e sua criticidade. Somente assim, será possível fazer do Brasil uma nação onde o respeito é prioridade.