Debate sobre a gordofobia no Brasil
Enviada em 10/08/2021
De acordo com a obra “Brasil, País do Futuro”, escrita em 1941, do autor Stefan Zweig, Brasil é sinônimo de progresso, o que transforma o livro em uma projeção progressista de um tempo de ouro. Entretanto, há uma grande discrepância entre o que era esperador por Zweig e o que foi entregue, tendo em vista o panorama do preconceito contra pessoas acima do peso no Brasil — um verdadeiro retrocesso das relações humanas que pode ser fatal à salubridade mental. Assim, é possível afirmar que não só o desconhecimento da palavra empatia, mas também a falta de percepção que um distúrbio alimentar pode ter causas mais profundas fomentam o status quo contemporâneo do século XXI.
Inicialmente, é necessário ressaltar que, no Brasil, se colocar no lugar de outro com compaixão é substituído por um enaltecimento dos defeitos, propagado inclusive nos próprios meios de comunicação. Por exemplo, no programa de televisão aberta “The Noite, com Danilo Gentili”, o apresentador desdenha com tamanho desprezo um dos integrantes do show com comentários gordofóbicos, os quais são ovacionados pela plateia. A partir desse aspecto, é visível a inadimplência do respeito pelas emissoras de TV, as quais contribuem com a propagação de atitudes preconceituosas como uma forma lúdica de extremo mau gosto.
Ademais, outro impasse tange à questão da superficialidade com que se pode enxergar o problema alheio, tendo em mente a facilidade que o ser humano tem em julgar, apontar e reprimir. De acordo com o seriado “Quilos Mortais”, no qual mostra pessoas com obesidade mórbida e suas histórias até o atual estado, o distúrbio alimentar advém, geralmente, de outro problema como, por exemplo, abusos sexuais na infância, abandono paternal, baixa autoestima etc — todos casos concretos retratados no documentário. A priori, é inadmissível a percepção populacional de se colocar o sobrepeso em pedestal como algo engraçado ou digno de piada, e não como um problema que pode ser enfrentado e contornado com a ajuda coletiva — afinal, conforme os dados da World Health Organization, a obesidade, no Brasil, já é considerada epidemia.
Destarte, é dever do Estado, no âmbito de ministérios atuantes, em consonância com instituições de ensino e saúde, realizar a conscientização populacional por intermédio de palestras educativas e campanhas publicitárias acerca não só da importância da ajuda emocional e incentivo físico para tal parcela em questão, mas também da deleteriedade de práticas segregacionistas na vida pessoal de indivíduos acima do peso. Espera-se, com tudo isso, uma melhoria significativa na qualidade de vida das vítimas e, além disso, uma mudança na postura de anedotas veiculadas pela televisão.