Debate sobre a gordofobia no Brasil

Enviada em 11/08/2021

A Constituição federal de 1988, documento jurídico mais importante do país, prevê em seu artigo 6º, o direito à saúde como inerente a todo cidadão brasileiro. Conquanto, tal prerrogativa não tem se reverberado com ênfase na prática, quando se debate sobre a gordofobia no Brasil, dificultando, deste modo, a universialização desse direito social tão importante. Esse cenário antagônico é fruto tanto da influência da mídia, quanto da inferiorização do indivíduo. Diante dessa perspectiva, faz-se imperiosa a análise dos fatores que favorecem esse quadro.

Em primeiro lugar, vale ressaltar a forte influência das mídias como o principal impulsionador do problema. Assim, a imersão da sociedade na rede midiática que facilita a criação de novos padrões estéticos, de modo a alienar e moldar, assim como já pregavam os teóricos da Escola de Frankfurt, a mentalidade do indivíduo; o qual, infelizmente, valoriza a aparência alheia em detrimento da autoestima. Esse raciocínio promove uma perspectiva de uma sociedade insatisfeita com o próprio corpo, cuja inclinação a desenvolver distúrbios emocionais, como a ansiedade e a depressão, torna-se preocupante. Desse modo, tal fato ratifica os dados divulgados pela Organização Mundial da Saúde (OMS), que colocam o Brasil como o país com maior taxa de pessoas com ansiedade de maneira a promover uma forma alarmante que põe em risco a integridade mental da população.

Além disso, é imperativo pontuar que a pessoa gorda ou obesa, imersa na enorme bolha sociocultural de condutas e de perspectivas, mostra-se vulnerável diante do preconceito e da discriminação feita por populações conservadoras e sem conhecimento afetivo, o que configura um cenário de grave inferiorização do indivíduo. De acordo com a Sociedade Brasileira de Cirurgia Bariátrica e Metabólica (SBCBM), entre adultos obesos, 19 a 42% sofrem com essa discriminação. Esse dado mostra uma geração atual da sociedade ligada a um senso comum de que a pessoa é gorda em virtude, apenas, da falta de vaidade. Longe disso, a dificuldade no acesso à saúde está além da mera beleza, pois as populações de baixa renda,sobretudo, estão marginalizados ao acesso da saúde pública.

Desta maneira, conclui-se que tanto da influência da mídia, quanto da inferiorização do indivíduo medidas governamentais precisam ser tomadas. Dessa forma, cabe ao Poder Público, por intermédio do Ministério da Cultura, a realização de uma campanha chamada “Sem filtro” que, com interações na mídia lideradas por indivíduos diferentes do parâmetro estético valorizado, tivesse o fito de destacar a essência e o físico natural de cada indivíduo, com o objetivo de reduzir a discriminação por pessoas obesas, alavancar a autoestima, retirar as amarras da aceitação e, finalmente, cumprir o direito à saúde para todo cidadão brasileiro.