Debate sobre a gordofobia no Brasil
Enviada em 10/08/2021
A famosa estátua “Vênus de Willendorf” retrata o corpo de uma mulher gorda, o qual, na época em que foi esculpida, representava uma aparência física atraente. Entretanto, nos dias atuais, a magreza é quase o sinônimo de corpo “perfeito” e, enquanto ela é exaltada, a gordura é abominada e ridicularizada, o que configura um preconceito cujo nome é “gordofobia”. Para melhor compreender o debate sobre tal questão no Brasil, é válido compreender a violenta pressão estética como fator para a gordofobia e as consequências dessa prática para as pessoas afetadas.
Com efeito, é lúcido perceber que a imposição social para que todos se encaixem no padrão de beleza contemporâneo, que inclui ser magro, resulta na gordofobia. Nesse viés, a música da cantora Melanie Martinez denuncia a brutalidade das pressões estéticas atuais em versos como “não seja dramática, é só um pouco de plástico, ninguém vai amar você se não for atraente”. Sob essa ótica, constata-se que o respeito, a admiração e sentimentos como amor são reservados para os considerados belos. Paralelamente, então, a sociedade reprime, marginaliza e desrespeita as pessoas gordas porque sua aparência está fora do que e considerado ideal.
Ademais, é importante notar que essa discriminação abala a saúde mental das pessoas gordas. De acordo com o sociólogo Zigmunt Bauman, “tudo o que fazemos - ou deixamos de fazer - tem impacto na vida de todo mundo”. Seguindo essa linha de pensamento, é inegável que palavras e ações preconceituosas afetam seriamente os indivíduos a quem elas são direcionadas. Dessa forma, piadas e comentários maldosos, bullying e falta de representatividade na mídia, que exalta os corpos magros e ri dos que são colocados como “acima do peso”, influenciam o surgimento de baixa autoestima, depressão e ansiedade em pessoas gordas, além de distúrbios alimentares, por exemplo, a anorexia.
Portanto, as empresas de moda e de cosméticos localizadas no Brasil precisam, por seu poder na criação e manutenção de padrões de beleza, mitigar os efeitos da gordofobia, bem como impedir sua perpetuação. Isso deve ser feito por meio de uma presença midiática com grande diversidade de corpos, pois a partir da maior exposição de diferentes tipos físicos, a população, de todas as idades, irá se acostumar a ver indivíduos diferentes em vez de se familiarizar apenas com os que atendem às pressões estéticas hodiernas. Tal medida será tomada com a finalidade de criar uma sociedade livre da gordofobia, em que todas as pessoas, não apenas as “atraentes”, são tratadas com respeito e amor.