Debate sobre a gordofobia no Brasil
Enviada em 16/08/2021
Na música “All about that bass”, da cantora Meghan Trainor, é destacado que corpos maiores são perfeitos e que não é necessário a preocupação extrema com o peso, por isso, essa composição destacou - em seu ano de lançamento - o combate a gordofobia. Contudo, a realidade brasileira se difere muito disso, pois existe pouco debate sobre a gordofobia, e isso gera desafios para o combate ao preconceito infligido aos gordos, como o padrão de beleza imposto pelas mídias e o incentivo das redes sociais ao emagrecimento forçado.
Primeiramente, com o reconhecimento mundial da indústria cinematográfica da Disney, grande parte da população infantil já é direcionada a seguir o modelo evidenciado em todas as princesas, que também é presenciado nos filmes da Barbie, já que nenhuma dessas são gordas mesmo com suas diferentes nacionalidades e etnias. Embora, na antiguidade o estereótipo de beleza e saúde fosse representado pela Vênus de Willendorf - que é retratada como uma mulher gorda -, atualmente não ser magro está tão naturalizado como feio, que isso motiva e dá oportunidade para que humoristas - tal qual Leo Lins - se aproveitem do humor para falar e praticar atos gordofóbicos.
Outrossim, na animação japonesa “Watashi go motete dousunda”, é exemplificado como um ato bom uma personagem gorda fazer greve de fome por estar triste, pois assim ela conseguiria ficar “bonita” ao emagrecer, além de ser forçada a emagrecer novamente quando engorda depois de acabar com sua greve de fome. Ainda que existam influenciadoras, a título de exemplo Juliana Romano, para representar que as mulheres gordas também são lindas com seus diversos formatos de corpo, essas não tem um grande alcance de público, e as “influencers” que são famosas incentivam pelas redes sociais dietas - sem nenhuma validação profissional - que prejudicam à saúde, essa busca irracional pelo emagrecimento podendo provocar doenças, como anorexia e bulimia.
Destarte, é de extrema importância, para combater o padrão de beleza imposto, que o Estado através da mídia televisiva produza mais obras fílmicas que representem pessoas gordas de maneira positiva, para abrandar a ditadura da beleza que só aceita indivíduos magros - por meio do debate sobre a gordofobia. Também para aplacar o incentivo a dietas prejudiciais à saúde, que o Ministério da Saúde promova projetos educativos sobre alimentação pelas redes sociais com profissionais, para avaliar a necessidade da perda de peso, e evidenciar igualmente que corpos maiores podem ser saudáveis. Dessa forma, o Brasil superando os desafios do precário debate, para combater à gordofobia na sociedade atual.