Debate sobre a gordofobia no Brasil
Enviada em 10/08/2021
“O importante não é só viver, mas viver bem”. Ao relacionar a premissa do filósofo Platão à atual situação do Brasil, é possível compreender que questões, como a gordofobia são capazes de impedir o bem-estar de uma grande parcela da população que se encontra acima do peso. Nesse sentido, a influência das redes sociais e o preconceito intrincado na sociedade corroboram esse panorama. Nota-se, pois, a premência de debates acerca das motivações e dos efeitos sociais dessa discriminação.
É fato, a princípio, que as redes sociais estão diretamente atreladas à questão em pauta. Nesse contexto, os versos do poeta Fernando Pessoa, “Tudo quanto vive, vive porque muda, muda porque passa”, permitem uma reflexão sobre a essencialidade das mudanças que permeiam o mundo. Porém, o as mídias sociais têm impedido transformações, devido a um pensamento arcaico que dita e dissemina, nas redes sociais, padrões estéticos inalcançáveis e uma positividade exacerbada, que relaciona corpos magros à saúde. Tais fatores levam a uma padronização de beleza que exclui os que não se encaixam nos corpos perfeitos expostos no meio virtual. Posto isso, devido a essa interferência, as pessoas obesas podem desenvolver transtornos psíquicos, tais quais ansiedade e depressão e até distúrbios alimentares, como bulimia e anorexia, de acordo com o médico Dráuzio Varella.
Outrossim, as condutas preconceituosas agravam a gordofobia. Sob esse prisma, o psicanalista Antônio Quinet, em sua obra “Um Olhar a Mais”, defende que a sociedade contemporânea é mediada pelo olhar. Sob essa ótica, o olhar discriminatório sobre sujeitos acima do peso tende a potencializar o preconceito em relação a essas pessoas. Isso porque há uma estigmatização relacionada aos obesos, pois muitos acham que eles são apenas pessoas sedentárias e que comem demais, ignorando o fato de que, por vezes, a obesidade é uma condição genética ou um grave problema de saúde. Assim, em razão desse preconceito, os indivíduos com sobrepeso podem ter a autoestima afetada, o que conduz ao isolamento social e pode culminar no aumento dos índices de obesidade e de ingestão de comida, segundo dados da Organização Mundial de Saúde (OMS).
Infere-se, portanto, que a gordofobia é um resultado da influência das redes sociais e do preconceito. Logo, é basilar que o Ministério da Educação promova campanhas, mediante propagandas nos aparelhos midiáticos, acerca das consequências do comportamento gordofóbico e exemplos de indivíduos que já sofreram com esse problema, além de postagens de influenciadores digitais, sobre a importância da autoaceitação. Tal ação tem o intuito de chamar a atenção da sociedade para os perigos por trás da gordofobia e de diminuir os estereótipos recaídos sobre os obesos. Destarte, aqueles que se encontram acima do peso, poderão viver bem.