Debate sobre a gordofobia no Brasil

Enviada em 10/08/2021

Desde a antiguidade clássica, o ser humano estigmatiza padrões corporais para a sociedade, a princípio transparecidos por intermédio das esculturas, que representavam o físico saudável. Essa idealização do corpo acompanhou o tempo histórico, e a coerção coletiva desse estigma intensificou-se durante a revolução industrial, no objetivo de fomentar o consumo de massa. Essa alienação, perpetuada até os dias atuais, gerou problemas graves quanto a gordofobia no Brasil. Além do fomento pelo capitalismo desenfreado, a falta de investimentos governamentais para a mudança desse cenário agrava o quadro de mal-estar social vivido pelos indivíduos acometidos pela problemática.

Em primeira análise, é necessário entender a sociedade contemporânea e a origem da gordofobia nela. De acordo com a Escola de Frankfurt, na figura do sociólogo Adorno, a sociedade capitalista globalizada está envolvida e alienada pela Indústria Cultural, que estabelece padrões de consumo. Essa modelagem acontece naturalmente a partir da renovação de tendências, com estopim das grandes multinacionais de consumo. No tanger desses moldes, consequentemente há a aversão aos “pontos fora da curva”, como o corpo gordo, na qual gera descriminação aos indivíduos assim representados. Nessa caso, o problema social translada para o ramo da saúde, não só pelos problemas aderidos à falta de cuidados com o sobrepeso, mas com, de acordo com o Ministério da Saúde, o aumento exponencial de novos casos de obesidade e do agravamento dos já existentes, motivados pelo baixo estímulo às mudanças a partir da sociedade.

Outrossim, é passível conceber a culpa desse descaso aos setores do governo, que não destacam o aumento da média corporal da sociedade brasileira e da gordofobia como um problema a ser priorizado. De acordo com a Organização Mundial da Saúde, o status saudável é definido pelo bem estar físico, social e mental do ser humano. Além disso, a Constituição Federal define em seu Artigo 193, a ordem social tem como objetivo o bem estar e a justiça dos cidadãos. Sendo assim, no âmbito da gordofobia como a quebra da saúde física, social e do contrato social da Carta Magna brasileira, cabe ao governo fornecer os meios propícios para a dissolução do preconceito e, aos que acharem necessário dentro da liberdade individual, a redução da obesidade.

Portanto, a fim reduzir a gordofobia no Brasil, é necessário que o Ministério da Saúde (MS) crie um programa de assistência ao transtorno, com campanhas conscientizadoras da população nas redes midiáticas, na intenção de reduzir o caráter discriminatório estigmatizado à esse grupo. além disso, o MS deve disponibilizar gratuitamente clínicas para a redução de peso com o auxílio de profissionais nutricionistas, na intenção de fomentar a busca pelo verdadeiro conceito de saúde.