Debate sobre a gordofobia no Brasil
Enviada em 16/08/2021
Na série norte-americana ‘‘This Is Us’’, a protagonista, Kate Pearson, sofre constante discriminação em razão do seu sobrepeso e, com isso, desenvolve compulsão alimentar e uma obsessão pela perca de peso. A situação da personagem representa a vida de milhões de brasileiros que sofrem diariamente com a gordofobia, preconceito esse que é originado na cultura do padrão de beleza e fortalecido no âmbito das redes sociais.
De início, é importante salientar que de acordo com o filósofo alemão, Karl Marx, a infraestrutura determina a superestrutura, isto é, no capitalismo, aqueles que dominam os meios de produção definem a cultura, a forma de pensar e o que é considerado belo e aceitável na sociedade em que vivem. Nesse viés, a gordofobia tem sua origem nos padrões de beleza, já que, no Brasil capitalista, é incutido nas pessoas que um corpo bonito e saudável é aquele com características magras e isso faz com que muitos tenham aversão a indivíduos gordos. Com isso, os brasileiros mais corpulentos sofrem constante preconceito e exclusão social apenas por não serem considerados bonitos, e por causa disso muitos desenvolvem diversos tipos de doenças ao longo de suas vidas ou se submetem a dietas desumanas com a esperança de que poderão, finalmente, serem vistos como belos.
Ademais, com a crescente popularização entre os internautas brasileiros, as redes sociais estão se tornando o lugar mais forte para impor os padrões estéticos sobre as pessoas e, assim, reforçar preconceitos, como a gordofobia. Isso porque, suscitando o filósofo francês, Jean Baudrillard, a contemporaneidade vive o conceito de simulacro, ou seja, muitos simulam uma realidade que não vivem apenas para se encaixarem nas regras do meio no qual estão inseridos. Assim, grande parte da população vê nas mídias sociais um caminho para ‘‘simulacrar’’ seus corpos, ao editarem ou colocarem efeitos para parecem mais magros, e terem eles aceitos pela sociedade. Logo, é cabível afirmar que o mundo virtual potencializa o estereótipo de que pessoas gordas são feias, inaceitáveis e que elas precisam fazer de tudo para terem o mínimo de aprovação de todos ao seu redor.
Portanto, percebe-se a importância do debate sobre a gordofobia no Brasil. Para combater esse preconceito, cabe ao Ministério da Cidadania, na condição de garantidor da inclusão e desenvolvimento social, a criação de projetos que visem mudar o conceito de belo na sociedade brasileira. Tais projetos podem ser a elaboração de palestras, as quais sejam realizadas nas instituições educacionais e nas principais áreas públicas de cada estado, com a presença de agentes dos Direitos Humanos e vítimas desse tipo de discriminação, a fim de que corpos gordos sejam valorizados e inclusos na definição da palavra beleza. Assim, histórias como a de Kate Pearson não serão mais comuns entre os brasileiros.