Debate sobre a gordofobia no Brasil

Enviada em 10/08/2021

No seriado mexicano de televisão “Chaves”, o personagem “Inhonho” aparece, por vezes, triste por receber ofensas pelo seu peso acima da média. Fora da ótica ficcional, no Brasil, há um grande preconceito quando o assunto são pessoas com teor de gordura corporal elevado. Por isso, no tocante ao debate sobre a gordofobia no país, é imprescindível que haja mais indivíduos com essas características na mídia, além de uma educação sobre como funciona o corpo humano.

Em primeira análise, é fundamental que pessoas com corpo fora do padrão considerado normal pela  sociedade ocupem cargos relevantes e estejam em voga na mídia. Isso se faz necessário, não só pela aceitação dos corpos pela população, mas também pelo exemplo que tal indivíduo pode levar para pessoas que se considerem semelhantes. Essa afirmação se confirma no caso do técnico de futebol Guto Ferreira - chamado por alguns torcedores de “gordiola”, em referência ao corpo e ao, também técnico, Guardiola - que, após ganhar fama, encorajou muitos outros profissionais acima do peso a ingressarem na profissão.

Além disso, de acordo com o filósofo alemão Immanuel Kant, “o ser humano é aquilo que a educação faz dele”. Por tal afirmação, é de inegável relevância que, por meio desse ato, se busque acabar ou amenizar ataques relacionados à gordofobia. Isso só poderá ser feito através de ações que ensinem, desde cedo, nas escolas, como funciona o corpo humano, e como, muitas vezes, indivíduos considerados “gordinhos” são mais saudáveis que seus companheiros. Logo, deve haver uma das disciplinas que aborde, não só a fisiologia humana, mas também o respeito ao outro.

Portanto, acerca do debate sobre a gordofobia no Brasil, cabe à grande mídia introduzir indivíduos com tal perfil em suas empresas, por meio da contratação desses para cargos como apresentador, jornalista, ator e outros, a fim de, desse modo, naturalizar essa condição na sociedade. Além disso, cabe às instituições educacionais fornecerem meios que acabem com tal preconceito, por meio de aulas sobre anatomia, em que fique demonstrado que não há diferença estrutural alguma entre corpos, para que, desse modo, não haja mais Inhonhos nem nas escolas, nem nas ruas do país.