Debate sobre a gordofobia no Brasil
Enviada em 11/08/2021
No filme “Sierra Burgess é uma Loser”, disponível na Netflix, é mostrado uma protagonista vitíma de um esteriótipo que coloca o corpo com sobrepeso como inferior e marginalizado, o qual agrava o “quadro” de preconceitos e excluções sofridos pela personagem. Fora do tablado da ficção, essa realidade se faz presente na sociedade brasileira sendo necessário a promoção de debates acerca da gordofobia para “quebrar” esse paradigma, de modo que haja uma mudança na mentalidade dos indivíduos e ações do Estado que minimizem essa situação.
Nessa perspectiva, segundo o sociólogo alemão Amitai Etzione, uma sociedade responsiva é aquela em que os padrões morais refletem as necessidades básicas de todos os membros. Tal pensamento toma contornos específicos no Brasil, uma vez que as críticas e os julgamentos sociais em relação as pessoas que têm sobrepeso dificulta o desenvolvimento físico e mental dessas últimas. Isso porque influi na autoestima e cuidados dos indivíduos que sofrem de gordofobia pela falta da desmistificação sobre o corpo ideal na população, a qual resulta em cobranças irreais na autoimagem da população. Comprovação disso é que o formato físico “pesa” mais na estigmatização das mulheres, as quais muitas vezes desenvolvem depressão e ansiedade por essas pressões psicológicas, segundo o site G1.
Além disso, são escassas as ações governamentais em promover debates sobre a gordofobia, no Brasil. Dessa maneira, sob a ótica do filósofo contratualista Jonh Locke, a uma ruptura do “Contrato Social”, já que o Estado não tem garantido a plena inserção das pessoas acima do peso tido como ideal e o melhor bem-estar para esses, mantendo a gordofobia atuante no cotidiano brasileiro, o qual deixa a mêrce de violências, como a psicológica. Isso ocorre, pois o Poder Público está inserido em um sistema capitalista selvagem, ou seja, que prioriza o “ter” ao invés do “ser”, de forma a não tratar devidamente as questões para uma efetiva harmônia social.
Portanto, é fundamental o debate sobre a gordofobia no Brasil para desfazer estigmas negativos e preconceitos sociais. Para tanto, cabe ao governo a criação de palestras e grupos de leitura, em escolas públicas e privadas, por meio de verbas, feitos por psicólogos capacitados, com projetos lúdicos e audiovisuais, que promovam a desmistificações sobre o corpo com sobrepeso, de modo a conscientizar os cidadãos e diminuir os preconceitos com esse grupo. Também a sociedade, através da formação de fóruns nas redes sociais, dialogem e alertem a população do padrão corporéo surreal imposto, além da inferiorização e exclusão que pessoas gordas sofrem, de modo a notar as consequências que tais ações têm no desenvolvimento físico e mental do outrem, para instigar atitudes mais tolerantes e compreensivas acerca da autonomia dos corpos e da saúde atrelada a eles.