Debate sobre a gordofobia no Brasil
Enviada em 11/08/2021
No seriado americano, Friends, a personagem Mônica, quando criança, estava acima do peso e sofria de bullying na escola, cenário alterado quando ela, já na adolescência, resolve ir para a academia. Fora da perspectiva ficcional, é claro que casos como o da protagonista ocorrem no país, caracterizando a gordofobia que, em decorrência da superficialidade das pessoas, causa transtornos psicológicos.
De início, é necessário destacar a forma que as interações sociais atuais ocorrem sob um viés superficial. Nessa lógica, assim como modelos econômicos evoluem com o tempo, o modo como as pessoas interagem não ocorre de maneira diferente. Isso porque, como afirmou o sociólogo polonês Zigmunt Bauman, em sua obra “Modernidade Líquida”, os indivíduos da contemporaneidade dão menos valor a relações verdadeiras, já que estes se tornaram cada vez mais supérfluos em relação a elas. Por conseguinte, pessoas consideradas acima do peso, porque estão fora dos padrões que a sociedade impõe, são julgadas e alvo de perseguição sistemática, visto que, para a maioria, o mais relevante numa pessoa é como ela aparenta e não quem ela é. Diante do fato analisado, é imprescindível uma ação institucional para mudar esse quadro.
Além disso, é relevante discutir os resultados psicológicos que essa problemática pode trazer. Para entender tal apontamento, é justo ressaltar que o bullying é um problema de saúde pública, haja vista que, os ramos físicos, mentais e sociais são atingidos. Sob essa ótica, seja por serem bombardeados de modelos estéticos que a sociedade dita como correto, seja por serem vítimas de preconceito, parcela da população que é obesa no país sente-se obrigada a adotar dietas e exercícios físicos, mesmo que eles não sejam adaptados a ela. Em consonância, o filósofo sul-coreano Byung-Chul Han aborda sobre a sociedade do desempenho, ou seja, a atual, quando tem um desejo de ter alta perfomance em alguma meta, como emagrecer e deixar de ser alvo de julgamentos, mas falha em relação a isso, ela pode desenvolver doenças psíquicas diante do sentimento de frustração, a exemplo da depressão e ansiedade. Desse modo, enquanto o Estado se tornar omisso em relação a sua função de garantir saúde plena, o problema da gordofobia persistirá.
Frente a tal problemática, faz-se urgente, portanto, que a Escola atue em problemas de interações sociais, por meio de trabalhos educativos entre alunos, que incitem empatia entre eles, para que a superficialidade da modernidade líquida seja exceção. Também, é função do Ministério da Educação, como uma das vertentes do governo, combater o bullying no país, por intermédio da criação de campanhas eficazes, estas que incentivem a utilização de hashtags em redes sociais, como “#SimAoMeuCorpo”, com vistas a diminuir essa violência simbólica sistemática.