Debate sobre a gordofobia no Brasil

Enviada em 17/08/2021

O sertanejo é, antes de tudo, um forte", a literatura pré-modernista de Euclides da Cunha faz analogia à força de uma minoria social diante de uma situação adversa. Nessa perspectiva, é evidente que a população de pessoas acima do peso se enquadra nesse parâmetro, pois, necessita de um vigor psicológico, físico e social para lidar com o preconceito cotidiano na sociedade brasileira. Esse cenário nefasto, ocorre não só em razão da banalização de preconceitos direcionados à parcela da população obesa, como também da negligência de efetivação constitucional para inclusão desses cidadãos.

A princípio, é evidente a manutenção do preconceito enraizado na sociedade brasileira, levando em consideração a criação de uma vitrine de padronização de corpos e beleza na contemporaneidade. Nesse sentido, segundo o conceito de “Banalização do Mal”,da intelectual Hannah Arendt, faz-se presente no contexto da gordofobia no Brasil, haja vista a compreensão preconceituosa e negligente de modo corriqueiro no cotidiano da sociedade brasileira.Essa dinâmica coletiva de agir e pensar,dotada de exterioridade,coercitividade e generalidade induz e controla o pensamento social,culminando na disseminação do preconceito e exclusão social. De modo que, essa discriminação afeta psicologicamente e socialmente esses indivíduos.

Ademais, a popularização de estigma e de ideias preconcebidas acerca das pessoas acima do peso já se mostra presente em diversas manifestações sociais, demonstrando a falha do Estado ne efetivação do direito constitucional de igualdade. De acordo com o filósofo grego Aristóteles, a política deve agir de modo que, por meio da Justiça e a harmonia social seja alcançada. Dessa forma, é possível perceber que no Brasil a lacuna legislativa rompe com a desejável harmonia, haja vista o protagonismo de manifestações gordofóbicas e os traumas psico-sociais. Desse modo, é necessário maior comprometimento estatal para reprimir ações preconceituosas contra essa população.

É evidente,portanto,que ainda há entraves para a solidificação de políticas que visem combater a gordofobia no Brasil. Nesse viés, cabe ao Ministério da Educação, por ser o principal responsável por educar e ensinar crianças e jovens brasileiros, conscientizar sobre preconceito e gordofobia e o quão é prejudicial para a humanidade. Por meio da inserção nos parâmetros curriculares das instituições de ensino, disciplinas que desenvolvam o debate sobre o assunto, de forma crítica, auxiliando na promoção do sentimento de empatia e amor ao próximo. A fim de mudar essa infeliz realidade, proporcionando maior conscientização e respeito por parte de uma sociedade desenvolvida e engajada. De modo a efetivar os princípios constitucionais de igualdade.