Debate sobre a gordofobia no Brasil

Enviada em 11/08/2021

O termo ‘‘gordofobia’’ quer dizer: aversão à gordura e as pessoas que estão acima do peso, fazendo elas se sentirem inferiores aos outros. Esse tipo de preconceito é caracterizado por falta de inclusão em locais públicos que não estão preparados para acomoda-los, bullying, entre outras atitudes que fazem com que essas pessoas se sintam diminuídas. Essa discriminação já está enraizada na sociedade, dentre os inúmeros prejuízos causados por ela pode se citar: problemas na autoestima e desencadeamento de transtornos alimentares.

Em primeira análise, faz-se necessário mencionar o quão perigoso a gordofobia pode ser para o ser humano, especialmente quando o bullying começa desde a infância. É retratado no filme ‘‘Dumplin’’, a história de Will, uma adolescente acima do peso, que apesar de demonstrar confiança em si, não acredita quando um garoto que ela considerava atraente a convidou para sair, afinal ela estava acostumada a ser a amiga fora do padrão que ninguém notava a existência. Dentro dessa lógica ficcional, é muito comum ver pessoas, principalmente os jovens, sofrendo com baixa autoestima, já que é - diretamente ou não - dito pela sociedade que eles não são bonitos e atraentes, o que faz que muitos escolham se isolar do convívio social, decisão essa da qual pode trazer riscos à sua saúde mental, uma vez que isso torna mais propenso o desenvolvimento de doenças como ansiedade e depressão.

Ademais, não só as doenças mentais são prejuízos da gordofobia, mas as físicas também. Os transtornos alimentares têm recebido um pouco mais de atenção nos últimos anos, mas ainda não há o cuidado necessário que devia se ter com tal problema. Segundo a Organização Mundial da Saúde, 4,7% dos brasileiros sofrem de algum distúrbio alimentar, entretanto, na adolescência esse número chega a 10%. Esses índices alertam o perigo que essa busca pelo corpo ideal pode trazer, sendo este um reflexo das consequências do preconceito com aqueles que estão acima do peso, pois muitos criam uma obssesão por dietas restritivas e pela magreza, causando assim o comportamento compulsório.

Portanto, cabe ao Ministério da Educação, em parceria com profissionais da aréa da saúde, como psicólogos e nutricionistas, promover ações, por meio de palestras e jogos lúdicos, no caso das crianças mais novas, para alertar os estudantes dos traumas que o bullying pode causar na vida de alguém, além de instruir-los a manter uma alimentação saudável e baleanceada, buscando uma boa qualidade de vida, e não um corpo que se encaixe no padrão imposto pela sociedade, a fim de não só promover uma boa saúde física e mental, mas também evitar esse e outros tipos de preconceito dentro e fora do âmbito escolar, uma vez que as instituições têm o dever de formar cidadãos junto aos outros ciclos sociais.