Debate sobre a gordofobia no Brasil
Enviada em 11/08/2021
Na série estadunidense “Insatiable”, Patty sofre inúmeras humilhações e xingamentos de seus colegas de turma por possuir um corpo gordo,sendo isolada no âmbito escolar e impulsionada pela sociedade a buscar insaciavelmente a magreza.Fora dos tablados da ficção, mesmo com o desenvolvimento de movimentos sociais que ampliam o debate sobre o preconceito relacionados à parcela obesa da população, a gordofobia ainda está camuflada no padrão de beleza e nas “piadas” populares do Brasil.Dessa forma,falar sobre a valorização da magreza pela mídia e a banalização de ideias preconcebidas em relação às pessoas gordas é importante para a discussão desse preconceito no país.
Em primeiro lugar, é importante salientar que, com a disseminação dos meios de comunicação a partir da revolução tecnocientífica do século XX, as mídias expandiram sua infuência sobre a construção do padrão de beleza e passaram a propagar um ideal de saúde e estética ligado a magreza, repudiando as pessoas de corpo gordo.Nesse sentido, segundo o filósofo alemão Theodor Adorno, o sistema capitalista manipula as propagandas e redes de socialização de modo a impor mitos de beldade para impulsionar a compra de produtos que proporcionem,principalmente, o ideal de peso corpóreo.Ou seja, as mídias inferiorizam e excluem representativamente os corpos gordos do conteúdos digitais e televisivos a fim de proporcionar uma busca incansável pelo conceito erróneo e discriminatório de belo que veicula.Com isso, percebe-se que esses meios contribuem para a invisibilização da beleza da população obesa e a disseminação de ofensas gordofóbicas no Brasil.
Ademais, é necessário ressaltar que, por conta dessa ampla valorização da magreza no país, estigmas e preconceitos relacionados a indivíduos acima do peso valorizado socialmente são popularizados e utilizados como forma de ridicularizar essas pessoas.De acordo com o documentário ‘‘O Riso dos Outros", da Tv Cultura,a comédia se realiza, em geral, na reprodução de ideias preconcebidas e discriminação de seres com menos representatividade na sociedade, ou seja,as “piadas” comumente se apoiam na inferiorização de pessoas que não são viabilizadas pelas mídias sociais e instituições governamentais: as pessoas gordas.Assim,observa-se o aumento de manifestações sociais gordofóbicas ao mesmo tempo que a saúde mental e física de quem não se encaixa no padrão de beleza e não tem sua aparência valorizada é desgatada.
Portanto,debater sobre a gordofobia no Brasil é imprescindível para a construção do bem-estar coletivo da parcela gorda da sociedade.Para isso,é importante que o Ministério da Educação,como órgão responsável pela formação dos cidadãos, deve conscientizar os alunos sobre o assunto por meio de aulas obrigatórias com nutrólogos e psicólogos que falem sobre os efeitos mentais da gordofobia.