Debate sobre a gordofobia no Brasil

Enviada em 11/08/2021

De acordo com o sociólogo Michael Foucault, o homem é uma construção bio-psico-social, ou seja, é composto por fatores diversos que se relacionam na sua estruturação em sociedade. Tal projeção, no entanto, torna-se perturbada no momento em que se encontra rodeada por preconceitos, entre eles, a gordofobia. Esta tem como algumas de suas causas a naturalização e a passividade demonstradas acerca desse tema e também a perspectiva contemporânea brasileira sobre um corpo magro, trazendo-o como um protótipo de sucesso e felicidade plena.

Inicialmente, é relevante citar a blogueira e dançarina brasileira Thaís Carla, a qual sofre diversos ataques diários ofensivos e preconceituosos relacionados à sua aparência física no seu perfil profissional. No entanto, apesar dessa constância, isso não é combatido pelas plataformas das redes sociais e muito menos discutido ou denunciado com frequência. A partir disso, torna-se evidente o desprezo e a conformidade da população brasileira acerca dessa problemática tão corriqueira na vida de pessoas gordas.Tais acontecimentos demonstram que, de tão repetida, a gordofobia se estruturou e se enraizou como algo natural dentro da sociedade e, atualmente, já encontra-se conhecida como algo normalizado e que não merece tanta atenção assim.

Além disso, deve-se citar o conceito de Eudaimonia elaborado pelo filósofo Aristóteles, segundo o qual a felicidade deveria ser reconhecida como um estado de alma que, quando alcançado, traria uma plenitude ao ser. Na sociedade contemporânea atual, tal perspectiva encontra-se fortemente atrelada ao corpo e como ele é ou não considerado bonito e estético. A partir disso, estrutura-se um ideal de aparência física padrão e ocorre a visualização dele como um final feliz e de pleno sucesso pessoal quando alcançado. Desse modo, a pessoa gorda e fora desse modelo pré-estabelecido socialmente possui um estigma atrelado ao seu físico e é vista como alguém que não alcançou o que deveria, perpetuando-se, assim, o preconceito e a gordofobia dentro da estrutura social brasileira.

A partir disso, conclui-se que, entre as principais causas da continuação dessa ignorância estão a naturalização do preconceito e o direcionamento do conceito de felicidade ao corpo. Dessa forma, torna-se fundamental a ação da mídia, enquanto instituição social, no combate a essas perspectivas por meio da veiculação de propagandas e comerciais que promovem uma representatividade do grupo social brasileiro afetado em questão, trazendo a problematização da gordofobia e e expondo pessoas gordas como protagonistas dessas publicidades. Tais medidas, objetivam tanto uma preocupação com o preconceito naturalizado quanto uma normalização do corpo gordo e, portanto, uma visão de que é possível encontrar a Eudaimonia refletida por Aristóteles independentemente da nossa forma física.