Debate sobre a gordofobia no Brasil
Enviada em 12/08/2021
No filme japonês “Please kiss him, not me”, após a personagem principal passar por uma grande perda de peso, ela ganha uma enorme popularidade na escola e quando recupera o seu peso original, volta a ser excluída pelos colegas. No Brasil, a gordofóbia vem crescendo, e com isso, também, o debate sobre esse assunto. Isso se dá pelo preconceito relacionado a pessoas acima do peso, o que leva a problemas graves, tanto na saúde física, quanto na mental dessa população.
As muitas atribuições feitas em relação às pessoas acima do peso, fomenta o preconceito por elas sofrido. Segundo a nutróloga Ana Luisa Vilela, ser saudável não implica, necessariamente, ter um corpo nos padrões estéticos da sociedade, porém, a grande maioria da população assume o contrário dessa afirmação, e isso é perpetuado pelos diversos veículos midiáticos ao longo dos anos, transformando o corpo acima do peso como feio ou motivo de chacota. Como exemplo desse preconceito temos a grande Victoria Secrets, que teve o desfile, um de seus maiores expoentes, cancelado, pois, o diretor de marketing deu uma declaração trans e gordofóbica dizendo que a Victoria’s Secret “nunca teria uma modelo plus ou trans desfilando”. Ou seja, um dos maiores representantes de beleza da atualidade rejeita mostrar que existem outras categorias de corpos, o que leva a perpetuação de preconceito com a parte da sociedade que está acima do peso.
Esse preconceito leva várias pessoas que fazem parte desse nicho, a desenvolverem problemas relacionados a saúde mental e até para acompanhamento médico. A Sociedade Brasileira de Cirurgia Bariátrica e Metabólica (SBCBM), Após uma extensa revisão de estudos, constatou que o preconceito compromete a saúde de pessoas acima do peso e dificulta o acesso a medicamentos e tratamentos, a gordofóbia inclusive contribui para os altos índices de obesidade no planeta. O que pode levar o indivíduo a desenvolver distúrbios alimentares, como bulimia e anorexia, na tentativa de adquirir o corpo dito como “perfeito” pela sociedade. Isso é confirmado por dados da OMS onde um grupo de 300 alunas foi estudado, e as que estavam obesas ou acima do peso, eram as mais propicias a desenvolver essas doenças, pois elas apresentaram preocupação grave com a imagem corporal.
Devido ao exposto, as redes midiáticas deveriam criar propagandas mais inclusivas por meio da participação de modelos “plus size”, para demonstrar que é normal e, muitas vezes, saudável estar acima do peso, com o objetivo de diminuir o preconceito. Além disso, é necessário que o governo prepare, com a OMS criar propagandas a respeito dos distúrbios alimentares, mostrando como são prejudiciais e que não é necessário passar por eles para ter o “corpo ideal”, pois ele não existe, só assim para que não seja preciso ser magro ou emagrecer para ser popular.