Debate sobre a gordofobia no Brasil
Enviada em 12/08/2021
A Declaração Universal dos Direitos Humanos - promulgada em 1948 pela Organização das Nações Unidas - defende a manutenção do respeito entre os povos de uma mesma nação. Entretanto, a premissa defendida não é totalmente ratificada no Brasil, uma vez que a gordofobia se mostra um grave problema a ser debatido na sociedade brasileira. Esse cenário preocupante ocorre não só pela negligência do Estado, como também pelos estereótipos físicos impostos pela população contemporânea. Logo, faz-se imprescindível uma imperiosa análise dessa conjuntura.
A princípio, vale destacar que a omissão estatal, no que diz respeito à educação, contribui massivamente para a permanência desta problemática. Haja vista que, a falta de discussão acerca da gordofobia e a ausência da educação socioemocional nas redes de ensino evidenciam um deficitário sistema educacional, fruto da ineficiência do Estado perante essa situação. Tal lacuna no aprendizado pode contribuir na formação de jovens que carecem de estabilidade emocional, sendo, por sua vez, propensos a praticar atitutes desrespeitosas com pessoas gordas, em que diferem do padrão estético pré-estabelecido pela população. Nesse aspecto, cabe trazer a citação de Paulo Freire - filósofo brasileiro - a qual afirma: “Se a educação sozinha não transforma a sociedade, sem ela tampouco a sociedade muda”, dado que o papel das escolas, formadoras de opinião, é essencial na formação de indivíduos respeitosos com o próximo, além de auxiliar para o pleno exercício do corpo social.
Ademais, convém ressaltar que a sociedade é um agente deste panorama. Em face disso, cabe abordar o período helenístico, o qual se destacou pela exaltação da perfeição corporal através de esculturas de homens e mulheres com seus corpos simétricos. Nesse contexto, esse paradigma se evidencia na contemporaneidade, já que os padrões corporais ainda permanecem na população como uma maneira de representar o belo. Desse modo, os indivíduos que diferem desse estereótipo físico, como as pessoas gordas, geralmente, estão passíveis de preconceito. Tal discriminação pode trazer danos tanto a saúde física quanto psíquica da vítima de gordofobia, visto que essa tende a desenvolver distúrbios alimentares e baixa autoestima. Assim, percebe-se que a qualidade de vida dessa é afetada.
Portanto, fica claro que medidas para a reversão deste quadro são cruciais. Dessa forma, concerne ao Ministério da Educação, grande poder transformador, aprimorar o estudo sobre a gordofobia nas redes acadêmicas, que, sobretudo deve buscar valorizar todo tipo de corpo, em função de sua importância, por meio de palestras e debates com especialistas no assunto, a fim de construir uma sociedade que não tenha aversão aos indivíduos gordos. Feito isso, será possível uma nação hamônica que desfrute dos direitos humanos.