Debate sobre a gordofobia no Brasil

Enviada em 17/08/2021

Na série sul-coreana “Gangnam Beauty”, a protagonista Mi Rae tem sua infância marcada por diversos tipos de xingamentos por está acima do peso. Isso fez com que ela, já adulta, por medo de sofrer “bullying” na faculdade, se submetesse a várias cirurgias plásticas e a dietas restritivas para se encaixar no padrão de beleza. Fora do tablado ficcional, no Brasil, a gordofobia, ou seja, a aversão ao corpo gordo, está afetam diversos brasileiros que, assim como a personagem, são estereotipados por causa do seu corpo. nessa forma, faz-se necessário analisar as causas e consequências que sustentam esse preconceito, a citar, a “adoração” midiática de um padrão idealizado de beleza e os transtornos psicológicos gerados por essa prática.

Primeiramente, a mídia como influenciadora social é uma das principais fomentadoras de padrões de corpos, tornando-se um dos principais alicerces para a consolidação da gordofobia na sociedade brasileira. Com isso, ela, por meio de programas, propagandas e pelas redes sociais, enfatiza o preconceito em relação ao excesso de peso, o que faz com que os telespectadores se sintam pressionados a entrar em um ciclo de emagrecimento que é alimentado pelas empresas de medicamentos e de cirurgias plásticas. Essa relação, faz com que o Brasil lidere o ranking no consumo de remédios para emagrecer, segundo o Relatório Anual de Junta Internacional de Fiscalização de Entorpecentes.

Ademais, como consequência dessa padronização de corpo, o corpo social se torna um “espelho” daquilo que é representado pela mídia e acaba “refletindo” nas pessoas que não se encaixam desses modelos uma sensação de inferiorização e insegurança em relação a si própria. Isso, segundo a filósofa alemã Hannah Arendt, é compreendido como “banalização do mal”, ou seja, a sociedade não percebe que a propagação de um ideal físico está de certa forma afetando outros indivíduos.  Essa situação gera vários problemas mentais, que estão associadas a depressão, ansiedade, e, principalmente, distúrbios alimentares, como bulimia e anorexia.

Infere-se, portanto, que o preconceito associado à gordofobia no Brasil precisa ter suas fundações desfeitas. Para tanto, a Mídia junto com o Ministério da cultura, deve inserir as discussões acerca dos problemas gerados pela idealização de um corpo nos meios de comunicação, por meio de propagandas e debates com médicos e psicólogos, a fim de formar cidadãos mais tolerantes e mais conscientes em relação ao estigma ligado ao excesso de peso, diminuindo assim o ciclo de emagrecimento e normalizando o corpo gordo como normal na sociedade. Dessa forma, as várias Mi Rae’s que existem na sociedade brasileira perderam o medo de ser quem realmente são.