Debate sobre a gordofobia no Brasil
Enviada em 17/08/2021
A civilização greco-romana constitui o berço cultural do ocidente e ainda influencia a sociedade hodierna, especialmente no que diz respeito à estética do corpo humano, ou seja, magro e musculoso. Desse modo, essas raízes culturais desencadearam enormes prejuízos à concepção corpórea, tendo gerado intolerânca ao corpo gordo. Logo, o debate sobre a gordofobia deve ser incentivado, principalmente em dois pontos: naturalização desse preconceito e estereotipação da obesidade, tendo em vista a mitigação dessa descriminação no Brasil.
Nessa perspectia, a princípio, para a pedagoga brasileira Rita Furtado existe na sociedade a criação de “normas” que objetivam enquadrar os sujeitos a fim de distinguir os que se adaptam dos excêntricos a ela. Esse enquadramento se amplifica a diversas áreas, sobretudo à autoimagem (expressão inerente ao ser humano). Nesse sentido, a gordofobia compõe uma pressão negativa sobre os indivíduos de modo a objetificar os corpos e moldar a mentalidade pelo domínio cultural e social discriminatório. Dessa maneira, a banalização desse cenário excludente comporta a formação e permanência dos preconceitos na sociedade brasileira. Assim, esse contexto estabelece uma ação antidemocrática de repressão dos sujeitos e supressão do direito de liberdade de expressão.
Ademais, uma das ramificações do preconceito é a formação de estereótipos, os quais rotulam as pessoas receptoras da ação intolerante com características generalizadas e negativas, o que compões a gordofobia. Por conseguinte, conforme o antropólogo Canadense Erving Goffman, a categorização das pessoas pela sociedade imputa atributos considerados comuns e naturais. Dessa forma, aprisiona-se o sujeito à adjetivos pejorativos e à estigmatização do corpo gordo, como a patologização desses indivíduos. Diante disso, o desencadeamento desse cenário de intolerância é um real quadro de doenças relacionadas a baixa autoestima (depressão, anorexia).
Portanto, torna-se imprescindível o debate sobre a gordofobia no Brasil. Assim sendo, as instituições midiáticas, agente de influência cultural, e institutos escoares, reponsáveis pela construção social, devem trabalhar para a desnaturalização da intolerância ao corpo obeso. Isso será possível, mediante o protagonismo desses indivíduos nos meios televisivos (ações afirmativas para esse grupo de pessoas) e por meio da ministração de palestras educacionais sobre a alteridade. Além disso, a exposição da diversidade fenotípica em meios midiáticos e a formação social em coerência aos direitos individuais visará a promoção de uma sociedade padronizada no respeito mútuo, distintamente à civilização greco-romana, ou seja, desmenbrada da herança cultural excludente.