Debate sobre a gordofobia no Brasil
Enviada em 17/08/2021
A obra renascentista “O Homem Vitruviano”, do italiano Leonardo Da Vinci, representa o corpo humano a partir das proporções ideais, baseado em figuras geométricas perfeitas. Nas atuais sociedades, representações como a do artista são responsáveis por afirmar, cada vez mais, um padrão corporal a ser seguido, o que gera preconceitos, como a gordofobia, além de causar problemas sociais e psicológicos à parcela acima do peso considerado ideal.
Em primeira análise, a padronização corporal é o principal fator que acarreta a gordofobia. Como exemplo disso, historicamente, na sociedade grega da antiguidade o corpo era bastante cultuado, o qual os aspectos físicos do homem eram glorificados e exaltados. Nas sociedades modernas, essa valorização do corpo belo ainda se mostra presente, o que acaba por desencadear a busca por uma estética perfeita. Essa situação, por outro lado, também intensifica preconceitos, como a gordofobia, com aqueles que não possuem o padrão do corpo magro, ocasionando, assim, sofrimentos e não aceitação das suas características.
Em segunda análise, a gordofobia ocasiona diversos problemas sociais e psicológicos às feridas. Assim como ilustrado no filme “Sierra Burgues is a Loser”, um protagonista é uma jovem gorda que, ao trocar mensagens com um garoto, não consegue se encontrar presencialmente com ele por medo de que esse a rejeite por conta da sua aparência. Fora da ficção, muitos desejam sentir inseguros com seus corpos, situação ocasionada pelos preconceitos e padrões estéticos, fazendo com que esses se limitem, muitas vezes, a vestirem determinadas roupas e, até mesmo, aparecer publicamente. Essa problemática afeta, diretamente, na interação social desses indivíduos, além de contribuir para o desenvolvimento de distúrbios psicológicos, como ansiedade e depressão.
Logo, torna-se necessária a participação do Poder Público para combater a gordofobia no Brasil. Inicialmente, o Ministério da Saúde, em parceria com o Ministério das Mídias e Comunicações, deve criar campanhas que influenciem a diversidade, a partir de propagandas com diversos tipos de pessoas, com diferentes estéticas, com vistas a acabar com padrões impostos, além de contribuir com a representatividade. Outrossim, o Ministério da Educação, em parceria com o Ministério da Saúde, deve conscientizar a população acerca dos problemas causados pela gordofobia, por meio de palestras em centros educacionais, ministradas por profissionais de saúde psicológica, que debatam sobre diversidade e aceitação, com o intuito de acabar com os sofrimentos ocasionados pelos preconceitos, assim como as Secretarias de Saúde devem oferecer tratamento para as vítimas de gordofobia, com o fito de elevar suas autoestimas e promover a autoaceitação.