Debate sobre a gordofobia no Brasil
Enviada em 13/08/2021
A obra “Homem Vitruviano”, do renascentista Leonardo da Vinci, retrata como o corpo humano é idealizado, desde os tempos remotos. Nessa perspectiva, é possível notar uma ressignificação do corpo que remete somente à estética, fato esse que gera comportamentos exagerados, como culto ao corpo padrão e o preconceito com o ganho de peso: gordofobia. Essa discriminação ocorre não só pela propagação midiática de estereótipos “ideais”, mas também pela manutenção histórica de tal preconceito na sociedade.
Em primeiro lugar, cabe ressaltar, que o culto ao corpo não é nada novo, já que, desde a Grécia Antiga, as divindades eram pintadas como donas de um corpo invejável, dessa maneira propagava-se a cultura ao “belo”. Com efeito, nota-se a popularização atual do mundo “fitness”, como exemplifica as influenciadoras digitais e modelos expondo corpos magros e com definição muscular, além da divulgação de produtos relacionados ao emagrecimento. Sob tal ótica, dados dessa revisão indicam que essa é uma prática constante no mundo. Entre adultos obesos, de 19 a 42% sofrem com a discriminação segundo a Sociedade Brasileira de Cirurgia Bariátrica e Metabólica (SBCBM).
Em segunda instância, é notável dizer que, o estereótipo dado pela sociedade, aos que não seguem o padrão do “corpo perfeito”, faz com que muitas pessoas tenham prejuízos emocionais — que provêm do ódio ao corpo-, e físicos- devido às dietas rigorosas-. Em paralelo a esta afirmação pode-se mencionar o ocorrido com a atriz brasileira Bruna Marquezine que, tempos atrás falou nas redes sociais de como fora duramente criticada por ganhar peso, chegando até a passar fome pela dieta. Tudo para se adequar a um padrão cada vez mais distante da realidade. De acordo com pesquisa realizada pela ISAPS, Sociedade Internacional de Cirurgia Plástica e Estética, organização mundial que compila dados de cirurgiões de 110 nações, 13,1% de todas as cirurgias plásticas realizadas no ano de 2019 foram no Brasil.
Portanto, o culto excessivo ao corpo e a gordofobia, portanto, são impasses que necessitam ser mitigados. Para tanto, urge ao Ministério da Educação implementar no ensino básico, técnico e superior, aulas e atividades dinâmicas, além de palestras, que evidenciem como a gordofobia é algo atual e recorrente por isso, deve ser combatida. Sendo assim, tal medida deve ocorrer por profissionais da saúde, como psicólogos e psiquiatras, além do depoimento de pessoas que já sofreram com esse preconceito. Outrossim, faz-se necessário, palestras com psicólogos e outros profissionais da saúde alertando sobre os vários prejuízos causados às vítimas da gordofobia, com o objetivo de que as vozes sejam ouvidas. Logo, a ideia de corpo saudável, e poderá remeter à valorização corporal de Da Vinci.