Debate sobre a gordofobia no Brasil
Enviada em 12/08/2021
Na obra “homem vitruviano”, do artista renascentista Leonardo da Vinci, é retratado o corpo humano nas proporções ideais e perfeitas. Sob essa óptica, é possível notar que há uma ressignificação da estrutura física padrão desde os tempos remotos, fato que gera uma discriminação com o excesso de peso. Desse modo, os desafios sobre a gordofobia no Brasil a serem enfrentados são o estereótipo corporal idealizado e a falta de acessibilidade a esse público-alvo de preconceitos.
De início, a música “pretty hurts” (a beleza dói), da artista Beyoncé, destaca o padrão reforçado do estereótipo corporal idealizado em seus trechos traduzidos “a moda diz que mais magra é melhor” e “a perfeição é a doença da nação”. Assim, é possível observar a pressão exercida, especialmente sob as mulheres, para esse alcance da magreza ideal que, consequentemente, gera comportamentos gordofóbicos na sociedade, a qual generalizam a ideia errônea que corpo bonito e saudável tem que ser magro. Ademais, é perceptível o preconceito enraizado nas frases que são diariamente bombardeadas nas mídias e nas indústrias de marketing, tais como “você emagreceu e ficou bonito”, “lindo de rosto, falta só emagrecer”, “não quer mais sofrer ao comprar roupas?”; discursos como esses são uma forma de inferiorização às pessoas gordas e esterotipar corpos acima do peso como doentes e feios.
Outrossim, o geógrafo Milton Santos, em sua obra “cidadania mutiladas”, afirma que a democracia só é efetuada ao atingir a totalidade do corpo social, ou seja, quando os direitos são usufruídos por todos. Dessa forma, a falta de acessibilidade das pessoas gordas em catracas de ônibus e assentos, por exemplo, prejudicam a democracia vigente, em que, teoricamente, todos deveriam ter acesso aos transportes públicos e ao bem-estar coletivo. Esse fato gera excluição nesse público-alvo de preconceitos, visto que a maioria dos ambientes, tais como lojas de roupas, cadeiras de aviões e restaurantes, não estão preparados, ou sequer preocupados em atendê-lo, mas, infelizmente, esse assunto é raramente colocado em pauta.
Em suma, para enfrentar os desafios sobre a gordofobia no Brasil, é necessário que o Ministério da Saúde adjunto ao da Educação, divulguem campanhas e debates nas instituições escolares por meio da mídia, meio de maior influência social, a respeito dessa discriminação e seus impactos na sociedade, a fim de desmistificar o estereótipo do corpo gordo como sinônimo de doente. Além disso, o Estado trabalhe para incluir os cidadãos acima do peso, por intermédio de políticas públicas que garantam a acessibilidade em estabelecimentos com espaços adaptados. Assim, a totalidade do corpo social será alcançada, como o geógrafo Milton Santos afirma.