Debate sobre a gordofobia no Brasil

Enviada em 12/08/2021

No ano de 2018, a cantora brasileira Anitta se apresentou, de forma fantástica, em um dos eventos mais importantes do mundo: o Rock in Rio Lisboa, em Portugal, em que impressionou a todos com um ballet totalmente inovador e composto por pessoas fora do padrão, como foi o caso de duas obesas. No entanto, por mais nobre que tenha sido essa inclusão vinda de uma artista tão influente, muita gente não gostou do feito, se apoiando em um discurso conservador e gordofóbico. Desse modo, fica claro que a gordofobia é, hoje, um problema que deve ser perpassado. Com isso, é preciso ressaltar como os moldes corporais intensificam esse óbice e como a escola pode auxiliar em sua extinção.

Em primeira instância, é válido destacar que o padrão corporal que recai sobre a sociedade brasileira é um meio intensificador do preconceito e falta de respeito ao corpo alheio. Esse molde de perfeição, por sua vez, é fruto do Neocolonialismo, período histórico em que os europeus, em busca de novas colônias, disseminavam seus ideais de beleza por onde passavam, o que formulou uma crença de que apenas pessoas brancas, de olho claro e, acima de tudo, magras, eram bonitas. Assim, aceitar o corpo gordo e valorizá-lo é visto, na contemporaneidade, como algo inalcançável para muitos cidadãos, uma vez que o eurocentrismo é marcante e ganhou espaço no pensamento crítico e idealista de boa parte da população. Portanto, atenuar esse ideal é um dever coletivo para efetivar a igualdade social.

Ademais, verifica-se que a escola desenvolve um papel essencial para tornar escasso o discurso gordofóbico que assola o Brasil hodierno. Essa função é representada, visto que essa instituição, segundo preceitos da Sociologia, é o segundo grupo social que os discentes mais têm contato no decorrer de suas vidas, o que o faz ter forte influência na formulação de ideias e sentimentos. Dessa forma, se são incorporados, desde os primórdios educativos, estudos acerca da intolerância às pessoas acima do peso, os alunos crescerão com a concepção de que não há nada de anormal ser dessa forma, como também serão encaminhados ao caminho da auto aceitação e respeito mútuo. Portanto, fica evidente a necessidade de se investir mais nessa temática em escolas brasileiras.

Em face do que foi abordado, faz-se imprescindível tornar a gordofobia, em sua totalidade, escassa no país. Cabe ao Estado, nesse contexto, como instância máxima da nação, a criação e aprovação de um Plano Contra o Discurso Gordofóbico (PCDG), que torne obrigatório o estudo dessa temática em todas as escolas do Brasil, através de uma lei que penalize aqueles que se recusarem a estudar essa situação e respeitar a pluralidade brasileira. A busca dessa sapiência deve ser feita, assim, através da disponibilização de materiais e livros pelo PCDG, a fim de alcançar o respeito à singularidade de cada cidadão. Feito isso, obesos no Rock in Rio não causarão mais estranhamento às pessoas.