Debate sobre a gordofobia no Brasil

Enviada em 12/08/2021

No filme “Dumplin”, a protagonista Will participa de um concurso de beleza para enfrentar as discriminações que sofreu, desde a infância, por possuir um peso acima do padrão. Fora da ficção, é fato que essa realidade, relacionada à gordofobia, também está presente no Brasil e precisa ser debatida. Nesse sentido, a problemática supracitada ocorre devido à imposição de padrões estéticos e ocasiona a segregação de indivíduos com sobrepeso.

Em primeiro lugar, vale ressaltar que o repúdio à pluralidade corporal é fruto da exigência de arquétipos idealizados. A esse respeito, no livro “A Sociedade do Espetáculo”, escrito por Guy Debord, é retratada a necessidade humana de atingir e exibir os moldes socialmente aceitos. Sob esse viés, a coletividade é persuadida a valorizar a magreza e desprezar a gordura, uma vez que o físico estreito foi construído como o modelo hodierno de perfeição. Análoga a esse lógica, verifica-se a difusão mundial da boneca “Barbie”, a qual apresenta uma silhueta esquelética e, infelizmente, influencia o discernimento infantil na rejeição de formas corpóreas distintas. Sendo assim, constata-se a importância de desestruturar exemplos equivocados, a fim de extinguir a gordofobia.

Por conseguinte, a intolerância direcionada aos cidadãos acima do peso provoca a marginalização desses indivíduos na civilização. Nesse contexto, na obra “A Velhice”, da filósofa Simone de Beauvoir, é abordada a exclusão social seletiva e destinada a determinados grupos. De modo paralelo, essa invisibilização afeta a vida de parcelas populacionais fora do arquétipo corpóreo, visto que esses sujeitos são segregados em inúmeras esferas, como profissionais, afetivas e familiares, apenas com base na aparência, o que propicia empecilhos ao desenvolvimento socioemocional de quem sofre gordofobia, tais como falta de autoconfiança e distúrbios alimentares. Dessarte, fica evidente a premência de mitigar a discriminação prevista por Beauvoir.

Portanto, medidas são necessárias para solucionar o impasse. Diante disso, com a finalidade de ampliar o debate acerca da gordofobia e, por consequência, eliminar esse preconceito, urge que o Ministério da Educação, por meio de uma reforma no currículo basilar e de eventos escolares, inclua conteúdos sobre aceitação corporal, respeito e empatia. Sob essa ótica, o projeto supramencionado será realizado por intermédio de aulas ministradas por professores capacitados, dirigidas tanto a alunos quanto a seus responsáveis, com o propósito de utilizar a discussão para desconstruir padrões errôneos e, assim, reduzir a invisibilização Dessa maneira, espera-se, no Brasil, o enfrentamento da intolerância de modo similar à personagem Will.