Debate sobre a gordofobia no Brasil
Enviada em 12/08/2021
Duas atletas da seleção brasileira feminina foram vítimas de ataques gordofóbicos por internautas nas Olimpíadas de Tóquio 2020. Essa situação é corriqueira no cenário brasileiro. Afinal, tal preconceito é fruto de marcas históricas que perduram até hoje devido à falta de representatividade gorda na mídia, gerando problemas mentais e exclusão social.
Em primeira análise, é notório que a gordofobia no Brasil advém de uma consciência antiga na sociedade, uma vez que a cultura da “excelência corporal” existe na mentalidade humana desde a Antiguidade Clássica. Essa assertiva é associada às características da cidade de Esparta, a qual prezava pelo belo e valorização do corpo “perfeito”. A partir disso, o culto à magreza foi se intensificando e gerando padrões estéticos inalcançáveis, como é observado na maioria das modelos brasileiras e internacionais. Dessa forma, a gordofobia atual passou a surgir quando a sociedade, acostumada em ver, nos meios de comunicação em massa, apenas corpos magros e perfeitos, observou corpos fora do padrão, gerando preconceito pelo diferente, como afirma Caetano em, “Narciso acha feio o que não é espelho”.
Em segunda análise, é perceptível que esse tipo de preconceito contra gordos no Brasil pode gerar uma grande pressão mental sobre o indivíduo. Esse pensamento é concatenado à visão de Chul Han, o qual alerta que a sociedade busca por um padrão perfeito que nos é imposto e nesse incansável caminho, acaba se perdendo e desenvolvendo problemas mentais, como ansiedade e depressão. Outrossim, a gordofobia pode desenvolver exclusão social de parcelas que estão acima do peso, visto que a vítima, na maioria dos casos, não consegue atingir o padrão exigido e passa a não se identificar na sociedade. Tal afirmativa é retratada na produção cinematográfica “Sociedade dos Poetas Mortos”, a qual mostra a frustração de um adolescente que não se viu encaixado no meio social por não seguir as referências impostas, levando-o ao suicídio.
Portanto, é evidente que a gordofobia no Brasil está intrínseca na mentalidade humana e vem sendo intensificada com a falta de representatividade gorda, gerando problemas mentais na sociedade. Dessa forma, é fulcral que a escola, principal formadora educacional, amplie o conceito de beleza por meio de aulas de artes e formação humana a fim de alcançar a quebra de padrões estéticos que já são impostos desde a infância. Ademais, é necessário que o Ministério da Comunicação, órgão responsável pela mídia e meios de comunicação, exija um aumento da representação gorda nos anúncios, filmes e novelas, por meio de investimentos a fim de aumentar a inclusão social.