Debate sobre a gordofobia no Brasil

Enviada em 12/08/2021

Patty, personagem principal da série americana “Insatiable”, é uma adolescente que sofre preconceito pela sociedade devido ao seu excesso de peso e que acaba desenvolvendo, consequentemente, dificuldades de autoaceitação. Fora do tablado ficcional, essa realidade não é diferente e atinge inúmeros jovens. Nesse sentido, é válido analisar as nuances do debate acerca da gordofobia no Brasil.

Evidencia-se, primeiramente, que os veículos midiáticos colaboram de forma demasiada para a continuação do preconceito contra pessoas obesas, visto que esses meios propagam um esteriótipo inalcançavel de beleza. Segundo Adorno, pensador da Escola de Frankurt, a mídia é uma indústria cultural formadora da consciência coletiva massificada e padronizada. Tal teoria afirma que a imprensa produz um modelo que impede a liberdade de pensamento da sociedade. Sob esse ângulo, é notório que os meios de comunicação social contribuem para o exercício da gordofobia pois eles conduzem e sistematizam o raciocínio dos indivíduos.

Além disso, é possível perceber que as raízes históricas contribuem para a continuação da gordofobia. Segundo a teoria da “Banalidade do Mal” da socióloga Hannah Arendt, o comportamento preconceituoso passa a ser realizado de forma inconsciente quando os indivíduos normalizam tais atitudes. Essa hipótese afirma que a naturalização de certas práticas contribui para o avanço do prejulgamento. Nessa perspectiva, é possível perceber que a não intervenção nos pensamentos ultrapassados e esteriotipados contribuem para o progresso do preconceito contra pessoas acima do peso.

Desse modo, é possível concluir que os veículos midiáticos e a continuação das ideologias antigas contribuem para a persistência da gordofobia no Brasil. Sendo assim, o Ministério da Tecnologia deve colaborar para o processo de autoaceitação por meio da diversificação de pessoas no meio midiático - bem como nos comerciais, novelas - a fim de diminuir os índices de preconceito contra pessoas obesas. Outrossim, o Ministério da Educação deve promover o respeito e  melhorar o convívio social por meio de palestras em locais públicos, como praças, bibliotecas, que falem sobre autoaceitação e acerca da não naturalização do preconceito, a fim de diminuir as taxas de gordofobia e melhorar o convívio entre os jovens.