Debate sobre a gordofobia no Brasil

Enviada em 12/08/2021

No longa metragem “Sierra Burgess é uma loser”, a protagonista - uma garota acima do peso - sofre diversas ofensas e é tratada muitas vezes com hostilidade pelos adolescentes da sua escola somente por causa da sua condição corporal. Fora dos tabloides da ficção, a gordofobia é uma forma de preconceito tão presente na sociedade brasileira, que chega a ser considerada banal. Acerca disso, é imperioso analisar uma causa e uma consequência desse fenômeno: a instituição de um rigoroso padrão de beleza na sociedade e as patologias mentais e físicas que essa discriminação pode causar.

Primordialmente, é importante destacar que, desde a infância, a população brasileira vem sendo instruída a pensar que um corpo bonito precisa, necessariamente, ser magro. Dessa forma, conforme afirma o sociólogo francês Émile Durkheim, “O homem, mais do que formador da sociedade, é um produto dela”, o próprio corpo social induz as pessoas a discriminarem as pessoas que, para a cultura de idolatria ao corpo vigente na contemporaneidade, estejam acima do peso. Nessa lógica, Durkheim também postula o conceito de fato social, que é um pensamento que pode, facilmente, ser aplicado à gordofobia no Brasil, onde até as pessoas que se dizem liberais, podem ter, inerente a si mesmas, uma mentalidade gordofóbica imputada pela cultura do meio onde vivem, ainda que camuflada.

Ademais, salienta-se que, além de comprometer a vida social das vítimas da gordofobia, a saúde desses indivíduos pode entrar em risco, à medida que eles tentam, a todo custo, amoldar-se ao padrão de beleza que vigora na comunidade. Consequentemente, a população com excesso de massa corporal está muito suscetível a desenvolver distúrbios relacionados à alimentação e à imagem corporal, como anorexia e bulimia. Esse fato é exemplificado na personagem da série televisiva “Pretty Little Liars”, Hanna Marin, a qual era acima do peso quando criança e, na sua adolescência, por receio de engordar, desenvolveu bulimia, transtorno que consiste em episódios de uma vontade exagerada de ingerir alimentos calóricos para, posteriormente, por culpa, vomitá-los propositalmente.

Em epítome, faz-se necessário tomar medidas a fim de fomentar o debate social acerca da gordofobia no Brasil. Cabe, portanto, ao Ministério da Educação sensibilizar os responsáveis pelas crianças e adolescentes brasileiros acerca da educação desses últimos sobre o respeito devido a todos os modelos corporais, por meio de palestras nas instituições escolares, redigidas por profissionais com autoridade no tema, como psicólogos e pedagogos, a fim de que pessoas como Sierra sejam respeitadas, e não mais caracterizadas como “losers”. É, também, da competência do Ministério da Saúde informar a população acerca dos perigos à saúde que a gordofobia representa, promovendo  a veiculação de anúncios informativos sobre isso, a fim de que o tratamento seja efetuado.