Debate sobre a gordofobia no Brasil

Enviada em 13/08/2021

De acordo com o filósofo alemão Arthur Schopenhauer “o homem toma os limites de seu próprio campo de visão como os limites do mundo”. No que se refere ao padrão de corpo no Brasil, essa conduta é potencializada, sendo admitido como corpo belo, unicamente o corpo magro. Tal realidade discrimina todos aqueles que não tenham um corpo nesse perfil, impondo-lhes uma gama de sofrimentos. Esse debate tem ganhado cada vez mais espaço na sociedade, porém ainda há muito para avançar no sentido de tornar um Brasil um país seguro e salutar para pessoas gordas.

Nesse contexto, ainda hoje, corpos gordos não são aceitos socialmente. Pessoas fora do padrão de corpo magro são cotidianamente questionadas, apontadas e violentadas. Essas violências se dão em diferentes esferas. Até mesmo em questões cotidianas a gordofobia se faz presente no momento em que pessoas gordas são constrangidas por não conseguirem utilizar estruturas comuns que não foram construídas considerando a diversidade dos corpos, como por exemplo, assentos de avião, roletas de ônibus e até mesmo camas de hospital.

Além disso, no Brasil o culto ao corpo é amplificado. Devido ao clima tropical e um extenso litoral, a exposição do corpo é comum. No entanto, apenas um tipo de corpo é admitido ser exposto: o corpo enxuto. Outras formas corporais são alvo de controle e aqueles sujeitos que ousam mostrar seus corpos tidos como não aceitáveis são constantemente julgados. Essa conjuntura coloca o Brasil  como líder mundial no ranking de cirurgias plásticas, segundo a Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica. Esse dado confirma a busca incessante que brasileiras e brasileiros tem em se enquadrar no padrão de corpo magro. Segundo o filósofo Jean Jacques Rousseau, “o homem nasce livre e por toda parte encontra-se acorrentado”. Ou seja, infelizmente a liberdade de viver plenamente, independente do corpo que se tenha, é desconstruída socialmente. Os indivíduos são aprisionados em uma ideia de aceitação no grupo social apenas se estiverem dentro um padrão e nesse caso, o padrão é o corpo magro.

Portanto, cabe ao Poder Público a implementação de ações que ampliem o debate sobre o corpo saudável, destacando que saúde não está vinculada à magreza. Torna-se necessária a divulgação dos danos causados pela gordofobia, através de campanhas publicitárias veiculadas em meios de comunicação e atividades promovidas pelas redes de saúde e de educação pública. Assim como estratégias que reformulem o acesso das pessoas gordas às estruturas de uso comum, como transportes coletivos e serviços de saúde. Dessa forma a sociedade brasileira poderá vislumbrar um futuro em que seus cidadãos poderão viver em liberdade, independente do corpo que possuam.