Debate sobre a gordofobia no Brasil

Enviada em 13/08/2021

A série “Corpo de vingança”, do canal E!, cuja host é Khloé Kardashian, incentiva pessoas acima do peso a emagrecerem para se vingarem de alguma situação problemática da sua vida por meio do dito corpo padrão. Fora das telas, milhares de brasileiros na faixa de obesidade tendem a odiar seus corpos e a se autodepreciar. Nesse sentido, a perseguição por um padrão de beleza impossível de ser alcançado e a influência e a visão da ciência sobre o estado de saúde das pessoas acima do peso são catalisadores para o aumento da gordofobia no Brasil. É essencial, pois, por em xeque as raízes desse problema em prol de uma sociedade menos gordofóbica.

De início, é lícito destacar como os equivocados padrões estéticos impostos pela mídia estão diretamente atrelados à problemática em pauta. Nessa perspectiva, o conto de Narciso narra a história de um caçador que,por conta do feitiço da ninfa, apaixona-se pela imagem de si mesmo refletida na água. Em contrapartida, a realidade dos brasileiros não magros é muito diferente da de Narciso, pois eles pensam estar fora do padrão estético vigente. Nesse viés, a influência das redes sociais faz muitos acreditarem que as pessoas obesas não se encaixam nos modelos de corpos “perfeitos”, exibidos nessas mídias, o que leva a uma espécie de rejeição a esses indivíduos com sobrepeso. Posto isso, devido à ditadura de padrões estéticos, os sujeitos que se encontram peso tendem a não desenvolver um sentimento de pertencimento e de identidade, pois não se sentem representados no meio midiático.

Outrossim, a propagação pela medicina contemporânea de que o emagrecimento é a chave para uma saúde plena contribui para a gordofobia. Sob esse prisma, em 2012, um médico foi afastado após receitar “cadialina” - cadeados para a geladeira, despensa e boca - para uma mulher emagrecer em Salvador. Tal fato revela os equivocados valores da medicina moderna a qual, frequentemente, associa a saúde a um corpo magro. Entretanto, por vezes, os doutores ignoram o fato de que, mesmo as pessoas que se encontram dentro do peso considerado ideal, podem apresentar problemas de saúde, o que pode gerar estigmas relacionados aos indivíduos com sobrepeso. Assim, esses cidadãos tendem a deixar de frequentar consultórios médicos, por medo de sofrerem alguma discriminação, o que pode culminar em problemas sérios de saúde, pela falta de acompanhamento clínico.

Infere-se, portanto, que padrões estéticos inalcançáveis e a visão equivocada da ciência sobre a saúde das pessoas acima do peso potencializam a gordofobia. Logo, é basilar os aparelhos midiáticos promovam campanhas, mediante publicações sobre os efeitos dessa problemática para o bem-estar dos afetados pelos padrões de beleza, com o fito de vetar as condutas gordofóbicas e a criação de modelos de beleza inatingíveis.