Debate sobre a gordofobia no Brasil

Enviada em 13/08/2021

O livro “Mulheres”, de Charles Bukowski, tem como protagonista o escritor Henry Chisnaki, que passa grande parte da leitura narrando seus gostos por mulheres magras, as quais ele acha atraente, enquanto revela uma aversão a mulheres mais acima do peso. Fora da ficção, a gordofobia é um problema que vem ganhando espaço na sociedade brasileira. Esse preconceito aumenta devido a perpetuação de um pensamento retrógrado de que é necessário se encaixar num padrão corporal, ocasionando o surgimento de mazelas em cidadãos brasileiras, como a falta de aceitação de si mesmo e doenças psicológicas.

Em primeiro plano, desde o Renascimento, que abriu portas para o mundo moderno, criou-se uma ideia de mulher ideal, magra, sensual e a de um homem viril, esbelto e sem fraquezas, iniciando a criação de um padrão físico e comportamental. A partir disso, esse pensamento se perpetou até o século XXI, em que mulheres e homens se submetem a procedimentos estéticos arriscados, dietas exageradas somente para evitar julgamentos e se sentirem incluidos em algum grupo social. Assim sendo, para o filósofo Tomás de Aquino, o dersordenado amor por si mesmo é a causa de todos os males, ou seja, a incessante busca por um corpo inalcançável pode levar o cidadão a ter problemas físicos e até mesmo psicológicos.

Em consequência disso, ocorre uma ascendência de problemas mentais. Segundo dados da OMS, o Brasil é o segundo país mais depressivo das Américas, chegando a aproximadamente 6% da população com depressão ou problemas relacionados a ansiedade. Sendo assim é possível relacionar o grande números de casos com a manutenção de preconceitos como a gordofobia, que faz com que as pessoas se sintam insatisfeitas com seu corpo, mesmo que sejam saudáveis, adentrando em casos de depressão, por conta do insucesso em atingir metas de um padrão. Dessa maneira, torna-se necessária uma reação governamental.

Infere-se, portanto, que o Brasil é um país extremamente preconceituoso e gordofóbico. Por conseguinte, faz-se necessário que o Ministério da Saúde, a partir de investimentos do Governo Federal, invista em um projeto público, que por meio das escolas e universidades de todo o Brasil, faça palestras sobre a normalidade dos corpos, conscientizando sobre as mazelas da gordofobia. Para que assim, os jovens e crianças cresçam com mentalidade diferente, ajudando a mudar o país para melhor.