Debate sobre a gordofobia no Brasil
Enviada em 13/08/2021
Segundo Lamark - pensador e naturalista francês -, a coletividade funciona semelhantemente a um organismo biológico. Desse modo, depreende-se, que quando um indivíduo(célula) é afetado, todo o organismo (sociedade) poderá sofrer árduas consequências. De maneira análoga, ao proferir acerca do debate sobre a gordofobia no Brasil, observa-se um assunto que abrange não apenas a um, porém a todos do corpo social. Sendo, portanto, necessária a análise de dois viés: a herança ideológica sedimentada na população e a privatização no mercado da beleza devido ao padrão estético.
Em primeira análise, o longa-metragem “O amor é cego” retrata a vida de Hal, um homem rico que cumpria uma promessa feita ao pai no leito de morte de apenas relacionar-se com mulheres que seguissem o padrão perfeito, ou seja, magras. No decorrer da trama, o protagonista passa por uma mudança ideológica ao ser hipnotizado apenas a ver a beleza interior das pessoas ao seu redor. Ao concluir o filme, Hal se apaixona por Rosemare por quem ela era e não pelo seu exterior. Fora da ficção, percebe-se que no processo de formação da sociedade, a propagação de que o corpo magro era sinônimo de beleza e de relações sociais perfeitas sedimentou-se e propagou-se entre os brasileiros. Contribuindo para a percepção de que pessoas gordas não são felizes e realizados em qualquer relacionamento social, reforçando o processo de exclusão.
Além disso, um corpo social que restringe um indivíduo acima do peso de ingressar no mercado da beleza através de padrões estéticos inalcançáveis, representa um retrocesso para uma coletividade que preza por igualdade. Nesse sentido, segundo a teoria da percepção do estado da sociedade, de Émile Durkheim, sociólogo francês, abrangem-se duas divisões: normal e patológico. Seguindo essa linha de pensamento, observa-se que um ambiente patológico, em crise, rompe com o seu desenvolvimento, visto que em um sistema desigual não favorece o progresso da população. Dessa forma, a inclusão dos corpos gordos no mercado de trabalho no ramo da beleza estética torna-se inviável.
Verifica-se, então, a necessidade de medidas que visem atenuar o processo de exclusão e preconceito a cerca da gordofobia no Brasil. Portanto, cabe às escolas - instituição social de ampla relevância - a promoção de palestras no âmbito escolar através da participação de profissionais do ramo das Ciências Sociais e Psicologia voltadas a alunos e seus respectivos responsáveis, com o objetivo de propagar ideias de inclusão e igualdade de modo a quebrar as barreiras da herança ideológica presente no corpo social. Ademais, Poder Executivo deve destinar verbas da União e do fundo rotativo com o intuito de criar parcerias e diálogos com as empresas privadas do ramo da beleza a interessar-se em promover a maior diversidade e acolhimento do corpo gordo na indústria estética.