Debate sobre a gordofobia no Brasil

Enviada em 13/08/2021

A Declaração Universal dos Direitos Humanos (DUDH), adotada pela ONU (Organização das Nações Unidas) em 1948, garante a todo cidadão o direito à saúde e vida digna. Dessa forma, cabe ao Estado criar meios para que toda população goze de tais privilégios e garanta o bem-estar social. Todavia, no Brasil, parte da população sofre gordofobia, que diz respeito ao preconceito contra pessoas gordas, e tal fato ocorre tanto pelo padrão de beleza imposto na sociedade, quanto na invisibilidade do debate sobre tal problema, uma vez que é visto como desnecessário.

A priori, a formação da sociedade brasileira é pautada no patriarcalismo advindo do período colonial, o qual sempre impôs padrões eurocêntricos a população, sendo o principal alvo a mulher. Nessa lógica, segundo o filósofo Michel Foucalt, o homem é um ser “biopsicossocial”, o qual necessita que essas três esferas- física, psicológica e social- sejam estimuladas de forma harmônica para um desenvolvimento saudável do indivíduo. Dessa forma, o que se observa é a perpetuação da gordofobia por achar o corpo gordo fora do estereótipo considerado bonito, fazendo com que pessoas que não se encaixam no padrão sejam motivo de piadas e constrangimentos. Logo, o meio social segregando e excluindo a população gorda afeta os âmbitos necessários que Foucalt afirmou para que o homem seja são.

Em segunda análise, o debate sobre a gordofobia tem crescido recentemente e ainda não é visto como essencial pela população em geral. De acordo com a ativista e criadora do Movimento Corpo Livre, Alexandra Gurgel, falar sobre a infinidade de corpos e biotipos é uma tarefa desafiadora, uma vez que surge inúmeros debates e acusações sobre a romantização da obesidade, ao invés de se conscientizar que a diversidade é algo normal e que todos podem ter liberdade sobre si. Assim, a gordofobia vai sendo mascarada e justificada como preocupação pela saúde , tendo diariamente o preconceito velado sobre pessoas que podem ser gordas por questões genéticas, medicinais, hormonais ou pela própria autoestima.

Em vista disso, para que o debate sobre a gordofobia seja visibilisado e alcance mais lacunas sociais, cabe ao Estado, juntamente com as instituições educacionais, promover projetos didáticos em que sejam mostrados a diversidade de corpos magros, gordos, negros e brancos, para crianças e adolescentes, ensinando como cada pessoa tem uma singularidade, a fim de conscientizar a geração mais nova a amar a si e respeitar o outro independente do estereótipo. Somado a isso, o Ministério da Saúde, junto a influenciadores digitais, deve realizar postagens nas redes sociais com pessoas gordas ocupando vários espaços, como academias, postos de trabalhos, com o objetivo de reduzir o preconceito e garantir representatividade e inclusão, como o proposto pela DUDH.