Debate sobre a gordofobia no Brasil
Enviada em 13/08/2021
A Constituição Federal de 1988, documento jurídico mais importante do Brasil, prevê em seu artigo 6º, o direito à saúde como inerente a todo cidadão brasileiro. Entretanto, a falta de debates a respeito da gordofobia impossibilita que essa parcela da massa desfrute desse direito social tão importante. Nesse prisma, é imprescindível analisar essa questão no país.
Antes de tudo, note-se que o poder público mostra-se negligente ao permitir a ausência de debates sobre a gordofobia. Isso ocorre porque existe uma ineficiência no processo de conscientização, uma vez que falta informar a população sobre a importância de respeitar as pessoas que se encontram com o índice de massa corporal (IMC) elevado, o que tem gerado a rejeição social, como a ridicularização no mercado de trabalho e, por conseguinte, problemas relacionados a saúde mental. Sendo assim, nota-se que o governo não vem garantindo o bem-estar de toda a sociedade, ocasionando, dessa forma a ruptura do contrato social idealizado pelo filósofo Jean-Jacques Rousseau.
Além disso, é fundamental apontar que a omissão de assistência estatal atua como impulsionadora da gordofobia. De acordo com pesquisas realizadas pelo Instituto Brasileiro de Opinião Pública, cerca de 92% da massa convive com a aversão à gordura e as pessoas que se encontram acima do peso. Diante de tal exposto, é notório afirmar que a alienação acerca de padrões estéticos implantados na sociedade, como belo, intensifica o processo de preconceito desse grupo, gerando, dessa maneira uma situação de inferiorização e, por consequência, de exclusão. Logo, é inadmissível que esse cenário continue a perdurar.
Convém, portanto, ressaltar que a falta de debates a respeito da gordofobia deve ser superada. Nesse sentido é necessário exigir do Governo Federal, mediante debates em audiências públicas, uma conscientização social, priorizando projetos educativos conduzidos por especialistas da área jurídica, com o objetivo de promover o respeito à cidadania das pessoas com obesidade. Ademais, é necessário que os órgãos públicos dêem assistência às vítimas dessa questão, por meio de campanhas, como o Corpo Positivo, visando a diversidade de padrões estéticos. Somente assim essa problemática será gradativamente erradicada.