Debate sobre a gordofobia no Brasil

Enviada em 14/08/2021

Na série televisiva My Mad Fat Diary é retratada a vida da personagem Rae, adolescente que é vítima de constantes preconceitos por ser obesa. Ao sair do contexto ficcional, é fato que a história da protagonista pode ser relacionada à vivência de milhões de brasileiros com excesso de peso, uma vez que a gordofobia é uma realidade no país. Assim, a partir da análise dessa questão, percebe-se que ela está associada aos padrões de beleza vigentes, e acarreta em diversas consequências para o bem-estar desse grupo.

Em primeiro plano, é necessária a compreensão de que o culto ao corpo é uma prática que data da Antiguidade - no Império Romano, por exemplo, os corpos musculosos, sob a ótica da militarização, eram vistos como superiores. Entretanto, com o advento da mídia, atualmente os padrões de beleza - que passaram a ocupar todas as esferas da vida dos indivíduos - também aumentaram a dimensão da gordofobia, uma vez que as pessoas não adequadas aos ideais vigentes são constantemente inferiorizadas. Fica claro, pois, que enquanto a lógica de beleza atual não for questionada, a gordofobia persistirá.

Ademais, é pertinente ressaltar que são diversos os efeitos do preconceito na vida dos indivíduos pertencentes a esse grupo. Nessa ótica, um relatório realizado pela Sociedade Brasileira de Cirurgia Bariátrica e Metabólica (SBCBM) aponta que até 42% dos adultos obesos sofrem com os efeitos da discriminação. Nessa perspectiva, altos índices de ansiedade, depressão e baixa autoestima são comuns ao cotidiano dessas pessoas. Desse modo, percebe-se que a gordofobia, ao passo que é uma prática que atenta contra o bem-estar dos obesos, deve ser urgentemente combatida.

Portanto, conclui-se que medidas devem ser tomadas a fim de solucionar o impasse. Nesse sentido, urge que o Governo Federal, por intermédio do Ministério da Saúde, atue em um projeto de combate à gordofobia e seus efeitos. Para tanto, devem ser vinculadas propagandas de conscientização nos principais meios de comunicação do país, bem como garantidos acompanhamentos psicológicos gratuitos às vítimas do preconceito. Assim, somente com esses esforços, será possível pôr fim à gordofobia no Brasil e evitar, com isso, que a história da Rae continue a representar uma triste realidade.