Debate sobre a gordofobia no Brasil

Enviada em 14/08/2021

De acordo com a constituição de 1988: Todos são iguais perante a lei, sem distinção. Entretanto, quando se analisa a inclusão de pessoas gordas no corpo social, percebe-se o descumprimento de tal lei. Visto que muitas vezes eles não têm acessibilidade para frequentar determinados ambientes. Isso ocorre devido à sociedade excludente e estigmatização das pessoas gordas.

Primeiramente, é válido destacar o conceito de Gordofobia: é um neologismo para o comportamento de pessoas que julgam alguém inferior, desprezível ou repugnante por ser gordo. Dessa forma, em um mundo pouco adaptado a corpos gordos e em uma sociedade que institucionaliza o preconceito contra os donos desses corpos, navegar pelo cotidiano traz desafios de diversas naturezas. Como; comprar roupa, usar o transporte público, frequentar restaurantes e outros ambientes que não estão preparados para acomodá-las. A prova disso, é que segundo a pesquisa encomendada pela Skol Diálogos e realizada pelo Instituto Brasileiro de Opinião Pública e Estatística apontou que a gordofobia está presente na rotina de 92% dos brasileiros. Por exemplo, uma pessoa magra ao decidir ir para um restaurante não precisa se preocupar se a cadeira vai suportar seu peso, ou se vai conseguir passar na catraca do ônibus, dado que, as coisas são fabricadas exclusivamente para um tipo padrão de corpo.

Ademais, é interessante ressaltar as palavras do cientista Albert Einstein, o qual disse que “Desintegrar um átomo é mais fácil do que acabar com o preconceito.” Desse modo, a Sociedade Brasileira de Cirurgia Bariátrica e Metabólica (SBCBM) defende que o estigma contra essa população deve ser combatido com informação. Uma vez que, evidências científicas mostram que o aumento de peso não ocorre apenas por falta de disciplina ou de responsabilidade pessoal, mas sim por efeitos biológicos, metabólicos e genéticos e a obesidade é uma doença, crônica e essa população merece respeito e acolhimento. Assim, a discriminação pelo peso não pode ser toleradas. No entanto, infelizmente, isso está longe de ser realidade. Posto que, programas como “Quilos mortais” são assistidos por milhares de pessoas e contribuem para a manutenção desse estigma.

Portanto, é indiscutível os problemas enfrentados por pessoas gordas dentro de uma sociedade excludente e preconceituosa. Então, é imprescindível o comprometimento do Ministério da Saúde. Logo, devem criar políticas públicas de assistência social, por meio da implementação do “Well Fare State” ou Estado de Bem-Estar social. Com a finalidade de promover a acessibilidade e igualdade de direitos para todos os tipos de pessoas, assim auxiliando no processo de “desestigmatização” acerca do preconceito com pessoas gordas. Atrelado a isso, cabe a indústria midiática promover campanhas de conscientização para as pessoas sobre as dificuldades que a população acima do peso enfrenta.