Debate sobre a gordofobia no Brasil

Enviada em 14/08/2021

Uma postura apática perante o sofrimento alheio. É isso o que se vê na tela “Arrufos” do pintor Belmiro de Almeida, já que um personagem se mostra demasiadamente indiferente à aflição de um outro. Entretanto, essa ausência de empatia não se restringe a uma obra modernista, pois, na realidade brasileira, as pessoas obesas vítimas de gordofobia têm vivido algo semelhante. Nesse viés, é importante analisar a questão da falta de debate, o que demonstra banalização de tal preconceito, e a negligência estatal em  não providenciar um auxílio.

Em primeira análise, é válido destacar que a falta de diálogo sobre a gordofobia revela a negligência do Estado diante do entrave, o que, consequentemente, provoca a não consolidação  do direito à integridade moral do cidadão. Consoante a isso, salienta-se a obra “Pedagogia da Autonomia”, do patrono da educação brasileira, Paulo Freire, na medida em que ela destaca a Importância das escolas em fomentar habilidades socioemocionais, como respeito e empatia, contribuindo para o desenvolvimento de cidadãos que possuam respeito aos diferentes tipos de pessoas. Desse modo, é revelado a necessidade de uma reforma no currículo escolar e a introdução de projetos para se discutir com a população de diferentes faixas etárias.

Em segunda análise, é inegável que o Poder Público ao negligenciar a gordofobia ignora as consequências decorrentes dos abusos psicológicos. Isso demonstra ser uma falha no processo de aplicação de leis, uma vez que na Constituição de 1988 classifica qualquer ato de atentado a integridade tanto física quanto moral, uma injúria. Como consequência disso, as vítimas ficam desamparadas e podem desencadear problemas relacionados à autoestima, além de se tornarem propensas a desenvolver doenças graves como a depressão. Sendo assim, é perceptível a essencialidade de uma lei mais rígida que venha a ser efetiva.

Depreende-se, portanto, que a gordofobia deve ser discutida para possuir uma maior visibilidade, e enfim, ser superada. Logo, é necessário que o Estado, junto ao Ministério da Educação, potencialize a disciplina de sociologia, por meio de aulas acompanhadas por profissionais de psicologia que abordem temas como autoestima e respeito às diferenças ,assim como, o oferecimento de projetos sociais que tratarão do tema com a população, com o objetivo de desenvolver uma sociedade mais tolerante e saudável para os diversos tipos de indivíduos. Além disso, o Governo, por meio do poder legislativo, deve incrementar a punição para os atentados a integridade moral, aumento os anos da pena, além de  horas de trabalho comunitário, para evitar as chances das pessoas sentirem-se tentadas a cometer tal ato, fazendo com que, assim, as vítimas do preconceito se tornem mais justiçadas.