Debate sobre a gordofobia no Brasil

Enviada em 14/08/2021

No filme “Dumplin”, lançado pela Netflix, narra a história do empoderamento de uma adolescente que percebe que não precisa emagrecer para ganhar confiança, ou conquistar o rapaz de seus sonhos. Mesmo gorda, a jovem compreende que possui o mesmo direito de fazer parte de um concurso de miss. Fora do tablado ficcional, na sociedade contemporânea, ao contrário do longa, cenas discriminatórias quanto ao excesso de peso são vivenciadas rotineiramente, em que muitos indivíduos são tratados com indiferença, sofrendo agressôes psicológicas e físicas por conta da aparência. Nesse viés, é importante analisar o preconceito da sociedade e a propagação midiática de um corpo “ideal”.

Constata-se, a princípio, que a gordofobia é um neologismo de um preconceito estético relacionado ao ódio a gordos. De acordo com Francis Galton, antropólogo inglês, acreditava que se fosse possível quantificar a hereditariedade, seria possível produzir seres humanos melhores. Envolvendo uma constante série de crenças e práticas cujo objetivo é o de aperfeiçoar a qualidade física da população. Nesse contexto, é possivel notar, uma ressignificação do corpo que remete a um “melhoramento” estético, fato este que gera comportamentos exagerados, como o culto ao corpo padrão e o preconceito com o excesso de peso. Dessa forma, o prejulgamento social a pessoas que não seguem o padrão de um indivíduo que é tido como “aperfeiçoado”, acaba sendo criticada pela sociedade.

Ademais, a cantora norte-americana Beyoncé, em 2014, lançou uma canção que alcançou repercussão mundial: “Pretty Hurts”, a beleza machuca, em português. Tal música reflete sobre os padrões estéticos impostos pela mídia e alerta, ainda, sobre a necessidade de atentar-se aos casos de doenças mentais entre os jovens que cultam o corpo em detrimento da própria saúde. Sob essa ótica, é notório que nos canais midiáticos, há uma veiculação de um esteriótipo corporal idealizado, o qual passa a ser desejado obsessivamente por uma parcela da populaçao que se sente inferiorizada pelo excesso de peso. Dessa forma, na busca por alcançar um ideal de beleza, proposto pela imprensa, faz uma constante massificação de propagandas de corpos magros e definição muscular, externalizando e promovendo o preconceito social a pessoas gordas.

Infere-se, portanto, que a gordofobia é um mal para sociedade brasileira. Sendo assim, cabe ao Ministério da Educação, através de ações com as escolas, criar um eficiente espaço para o dialogo com os jovens e incitar debates e reflexão, a fim de amenizar o preconceito a pessoas gordas. Além disso, o poder midiático deve, por meio de campanhas, desconstruir os padrões e apresentar coexistência dos diversos modelos físicos de beleza, a fim de trazer a representatividade à população e mitigar esteriótipos de um corpo “ideal”. Assim poder-se-á transformar o Brasil em um país desenvolvido.