Debate sobre a gordofobia no Brasil

Enviada em 16/08/2021

Na obra “Utopia”, do escritor inglês Thomas More, é retratada uma sociedade perfeita, na qual o corpo social padroniza-se pela ausência de conflitos e problemas. Contudo, o que se observa na sociedade contemporânea é o oposto do que é pregado pelo autor, já que a gordofobia que ainda ocorre no Brasil representa uma das barreiras que impedem a concretização dos planos de More. Esse cenário é fruto tanto da negligência da mídia, quanto de uma indiferença da sociedade.

A priori, é fulcral expor que como foi dito pelo ministro da propaganda nazista, Joseph Goebbles, algo só se torna verdade ao ser veiculado constantemente. Consoante a isso, é o trabalho dos influenciadores digitais, os quais, por meio das redes sociais e outros meios midiáticos, postam frequentemente fotos de seus corpos magros e malhados como se fossem um padrão a ser seguido, além das propagandas de dietas sem acompanhamento profissional e de remédios que prometem ajudar a emagrecer. Todos esses fatores, junto a ignorância da população, colaboram para que a população desenvolva uma obsessão cada vez maior pelo corpo magro, uma aversão pelos corpos gordos e terminem por reproduzir a gordofobia de forma inconsciente, pois a repetição constante de que a beleza está apenas na magreza os fez acreditar nisso como uma verdade absoluta.

A posteriori, é fundamental destacar que a “Atitude Blasé”, termo proposto pelo sociólogo alemão Georg Simmel no livro “The Metropolis and Mental Life”, ocorre quando o indivíduo passa a agir com indiferença em meio às situações que ele deveria dar atenção. Dessa forma, a gordofobia vem sendo cada vez mais banalizada pela sociedade brasileira, uma vez que um grande número de pessoas vive em completa desinformação sobre o assunto. Por causa disso, acabam reproduzindo falas e atitudes que oprimem pessoas gordas, como, por exemplo, a associação errônea da obesidade e outras doenças a pessoas acima do peso ou, além disso, à crença irracional de que seu peso influencia na capacidade de realizar tarefas e atividades físicas.

Portanto, é necessário que a gordofobia tenha fim no Brasil. Para isso, é fundamental que as grandes mídias, como o Instagram, coloquem avisos em postagens que falem sobre dietas recomendadas por influenciadores que não são profissionais da saúde e permita o bloqueio dos anúncios de pílulas emagrecedoras, além de recomendarem ajuda psicológica ou de nutricionistas que atendam “online”. Isso deve ser feito a fim de quebrar o padrão estabelecido e a ideia de que só a magreza é sinônimo de beleza. Outrossim, é preciso que as instituições de ensino promovam aulas e palestras, ministradas por nutricionistas e psicólogos, que ensinem sobre como o preconceito contra pessoas gordas está enraizado na sociedade e como ele é prejudicial, a fim de extinguir esse mal.