Debate sobre a gordofobia no Brasil
Enviada em 14/08/2021
Desde a Idade Média já se consagrava um modelo de corpo “perfeito”, como pode ser observado na obra intitulada de “O Homem Vitruviano” de Leonardo da Vinci, a qual apresenta um homem magro e com musculos bem definidos. Tal ideário de beleza e “perfeição” foi propagado desde a “Idade das Trevas” até o século XXI e, consequentemente, gera um debate sobre a forma do corpo que cada ser humano deve ostentar perante toda a sociedade. Ainda, nessa esteira se observa que muito tem-se debatido sobre a gordofobio no Brasil, tendo em vista que o “padrão” de beleza elegido se mostra excludente: na prestação de serviços públicos como ocorre no transporte público e na aréa da saúde pública brasileira.
Em primeira análise, cabe destacar que o transporte público do Brasil é absurdamente excludente, pois este não é pensado para as pessoas que se encontram com obesidade, tendo em vista que devido ao sobrepeso muitos usuários não possuem a mobilidade necessária para se alçar nas escadas dos ônibus ou devido ao seu porte físico não conseguem passar pela porta do veículo, o que causa um grande constrangimento para a pessoa envolvida. Dessa forma, o cidadão vê o seu direito constitucional a locomoção tolhido, ou seja, este não pode exercer, plenamente, o direito consubstânciado no artigo 5 da Constituição da República Federativa do Brasil de 1988 (CRFB / 88) devido ao transporte público ser pensado para pessoas “vitruvianas”.
Ademais, cabe trazer ao relevo que questão semelhante, também, ocorre na seara da saúde pública brasileira, tendo em vista que todo a estrutura dos hospitais são idealizadas para atender um público não obeso como pode-se observar: nas larguras das portas que dão acesso a banheiros e aos quartos; numa quase ausência de elevadores, rampas e maquinário que comportem o público mais corpulento. Outrossim, cabe destacar que gordofobia não é simplesmente ter medo de pessoas gordas, mas, sim, excluir essas pessoas do convívio social seja: dificultando o acesso a saúde ou transporte, colocando obstáculos físicos que impeçam o indivíduo de acessar os referidos serviços, conforme leciona a professora e escritora Ana Maria Veiga, ou seja, a gordofobia é a exclusão do convívio das pessoas que não comungam do mesmo ideal de beleza corporal que a maioria da sociedade tem como certa.
Portanto, para se resolver essa questão é imperioso que a União através do seu Ministério da Cidadania desenvolva fóruns e palestras com a iniciativa privada, bem como com os demais entes federativos para debater sobre a gordofobia no Brasil que excluí a pessoa gorda do convívio social, ou seja, desenvolver políticas públicas através do referido ministério que visem repensar o transporte público e o serviço público de saúde de modo a não segregar as pessoas não “vitruviranas”.