Debate sobre a gordofobia no Brasil
Enviada em 17/08/2021
O renascentista Leonardo da Vinci em sua obra “Homem Vitruviano”, idealiza o corpo simetricamente perfeito e belo. Vale ressaltar que, na hodiernidade, ocorre o preconceito com as pessoas que não seguem esse padrão. Além disso, a ignorância somada a romantização da obesidade contribuem para a progressão do estereótipo da beleza magra.
Sob esse viés, é válido analisar o mundo da beleza criado desde a adolescência que gera em muitos casos o bullying. Uma exemplificação é a série americana “Insatiable”, a qual recebeu umas das piores críticas por ser acusada de gordofóbica devido a associação da personagem Patty que sofria inúmeras rejeições e após se tornar magra, por um incidente na rua, alcançou a felicidade e vitórias pessoais. Com isso, é notório que o progresso de padrões de beleza é um fator de relevância para a manutenção de casos de perseguição e violência como o de Patty.
Além desse entrave, uma parcela da população ainda tem engessada a ideia de emagrecimento como sinônimo de saúde. Contudo, o corpo em seu exterior não é indicador de doenças. Ademais o pré-julgamento médico se tornou uma adversidade recorrente. Uma exemplificação é o caso da carioca “Thayná Bustamante”, que tinha pedras na vesícula mas não estava conseguindo atendimento cirúrgico porque “era arriscado operar alguém enorme de gorda”, segundo o médico. Logo, é necessário romper com a glamourização da magreza assim como não romantizar o sobrepeso para evitar situações como a de Thayná, que poderiam custar uma vida.
Portanto, cabe ao Ministério da Saúde, incentivar o pluralismo de biótipos através de representantes em redes sociais e pela divulgação de textos proativos em páginas virtuais, como “Quebrando o Tabu”, a fim de evitar a complacência na manutenção de padrões. Por fim, cabe ao Governo, por intermédio do Ministério da Justiça, criminalizar, por meio de leis, práticas godofóbicas no meio social e virtual, com o objetivo de proporcionar igualdade em âmbitos laborais e minimizar atos discriminatórios. Dessa maneira, a beleza não será simétrica como no desenho de da Vinci, devido à redução da obsessão coletiva pelo aspecto esculpido.