Debate sobre a gordofobia no Brasil
Enviada em 14/08/2021
A série de televisão ´Insatiable´ se baseia na transformação da personagem Patty ao ficar mais magra para se tornar modelo. O seriado traz a ideia de que ser magra é sinônimo de beleza, negligenciando a quantidade de espectadores que se sentem mal por não estarem no padrão de televisão. Saindo da perspectiva televisiva, percebe-se que não é diferente, grande parte da conjuntura social produz atitudes gordofóbicas sem ao menos pereceber. Diante disso, a negligência midiática e a colocação de corpos gordos como antônimo de saúde se relacionam diretamente com o tema.
De início, pode-se destacar uma negligência midiática como um dos principais pontos a serem debatidos na temática da gordofobia no Brasil. De acordo com o escritor George Owell, a mídia tem o controle da massa, ou seja, da população e da sociedade. Com isso, é inevitável reconhecer que o grande número de anúncios adquiridos pela mídia são ilusórios e não representativos. Essa realidade é percebida em novelas, filmes e anúncios publicitários, aonde a maior quantidade de atores são magros e seguindo o padrão de beleza representado pelos meios televisivos. A consequência do negligenciamento por parte da mídia se conclui na normalização da magreza como única forma de corpo possível, levando o público a problematizar corpos gordos e reais.
Outrossim, é válido citar a colocação de saúde como antônimo de corpos gordos como outro ponto no debate da gordofobia no Brasil. Grande parte da sociedade acredita que ser gordo é o mesmo que não ser saudável, premissa toalmente incoerente e problemática. Mesmo sabendo que segundo a pesquisa do periódico Nature Medicine, 19 a 42% das pessoas obesas de gordofobia, é impossível ignorar a outra porcentagem não obesa que também sofre o preconceito gordofóbico juntamente com a ideia de não terem saúde. A maioria também ignora que fatores genéticos estão totalmente ligados ao formato do corpo dos requisitos e soluções pré-concebidas sem conhecimento das condições psíquicas, genéticas e pessoais do outro.
Diante dos fatos supracitados, é válido reconhecer que a situação atual precisa ser transformada. Cabe a mídia para abrir o leque de atores com corpos reais e não ilusórios para que grande parte dos visitantes se sintam representados e parem de problematizar a normalidade. Ademais, é função do Ministério da Saúde informar aos cidadãos por meio de outdoors e panfletos a ideia de que a saúde vai além do físico, diminuindo a propagação de comentários e atitudes gordofóbicas. Só assim será garantido que a sociedade brasileira não seja uma cópia real do seriado´ Insatiable´.