Debate sobre a gordofobia no Brasil
Enviada em 16/08/2021
A obra “O Homem Vitruviano” de Leonardo da Vinci evidencia a busca pelo corpo ideal, a qual perpassa sociedades e encontra na magreza o seu ápice. No Brasil atual, a procura pelo modelo magro renascentista coloca em pauta o debate sobre a gordofobia, preconceito que intensifica a ditadura da beleza e desencadeia uma série de problemas psicológicos para os que dele sofrem, tornando-se necessário o seu combate.
Sob este viés, faz-se necessário a existência de um debate acerca das consequências da persistência desse preconceito no nosso país. A personagem Mônica da Turma da Mônica, por exemplo, sofre gordofobia dos seus amigos, os quais tentam, a todo custo, colocá-la para baixo a fim de irritá-la. Por mais infantis que sejam as historinhas criadas por Maurício de Souza, as ações dos colegas da estrela do gibi são reflexo de uma sociedade que ainda acredita que ser gordo é sinônimo de inferioridade, alimentando o padrão imposto pela “Ditadura da Beleza”, que rege os tipos de corpos que devem ser valorizados.
Ademais, a exigência social pelo corpo magro, a qual gera a gordofobia, leva, consigo, a saúde de milhões de pessoas que, por não encontrarem a beleza nos seus corpos e por serem oprimidos por esse preconceito, desenvolvem problemas psicológicos e de imagem, como a anorexia, a vigorexia e a bulimia. Conforme pesquisa feita pela Secretaria de Saúde do Estado de São Paulo, 77% das adolescentes se mostram propensas a desenvolverem algum tipo de distúbio alimentar, dado alarmante e que comprova a necessidade de pararmos de subjulgar os corpos gordos como inferiores e passarmos a valorizar a beleza que só a saúde psicologia proporciona.
Tendo em vista o que foi exposto, torna-se evidente que a ocorrência de debates acerca das consequências da gordofobia e de como erradicá-la no nosso país são de suma importância. Sendo assim, o Ministério da Saúde deve investir em campanhas que conscientizem a sociedade quanto ao efeito negativo desse preconceito para o bem estar físico e psicológico do indivíduo, com a finalidade de diminuir os transtornos alimentares e de imagem. Além disso, os deputados federais devem, em paralelo às ações de conscientização, propor um projeto de lei que configure a gordofobia como crime, com o intuito de diminuir a sua ocorrência e dar suporte aos que por ela sofrem. Assim, paulatinamente, a busca interminável e adoecedora por um “corpo vitruviano” terá, finalmente, um fim.