Debate sobre a gordofobia no Brasil

Enviada em 16/08/2021

No Renascimento, o modelo de beleza supunha mulheres mais voluptuosas, de quadris largos e seios generosos, pois as curvas simbolizavam fertilidade e essa ideia se manteve até o final do século XVIII. Nessa perspectiva, vê-se que tal conceito foi modificado pela sociedade e essa concepção de corpos mais avantajados não é mais sinônimo de beleza. Dito isso, é preciso debater sobre a gordofobia, levantando questionamentos como a glamourização da magreza e, consequentemente, a romantização da obesidade.

Primeiramente, é válido abordar sobre a falsa ideia de que um corpo bonito está associado à saúde. Isso é evidenciado com a afirmação da nutróloga Ana Luisa Vilela, que enfatiza que um corpo não necessita ser lindo, mas precisa ser saudável: “Emagrecer não é para ficar bonito, mas sim para ficar saudável.” Logo, com isso, nota-se a glamourização da magreza, por acreditar que ser magro é  também ser bonito e saudável e as pessoas “acima do peso” são descriminadas por não se encaixarem no padrão.

Em segunda análise, cabe analisar a questão da “romantização da obesidade”, que nada mais é do que negar dignidade às pessoas gordas e também o direito de existir desses indivíduos. Acerca disso, dados do estudo da Nature Medicine afirma que o estigma associado à obesidade, tem, na verdade, desenvolvido muito mais transtornos nas pessoas gordas que as próprias doenças que, de costume, são associadas a elas, como diabetes. Com isso, percebe-se que relacionar, indiscriminadamente, gordura à doença, faz com que a gordofobia aumente, de forma acelerada, na  sociedade.

Portanto, é de suma importância que as mídias, como instituição de alta relevância para o país, debatam sobre o assunto, ainda considerado um tabu na sociedade, por meio de debates e palestras, feitas em lives por especialistas ou até mesmo por pessoas que sofrem com essa realidade, para trazer discussões e opiniões que ajudem a experiência das pessoas.