Debate sobre a gordofobia no Brasil

Enviada em 16/08/2021

O filme Preciosa retrata a história de uma adolescente de 16 anos conhecida por Claireece “Preciosa” que sofre uma série de preconceito, bullying por ser gorda, negra, pobre e com filho portador de síndrome de Down. Nesse contexto, sabe-se que esse cenário não se limita apenas à ficção, também é uma realidade no cotidiano de uma parte da população que sofre gordofobia no Brasil, devido à construção de um corpo padrão pela sociedade. Sobre esse viés, torna-se necessário debater sobre a padronização estética do corpo ideal apresentado pelas mídias, como também a negligência estatal frente às limitações infraestruturais.

Em primeira análise, o pensador Pierre Bourdieu afirma “aquilo que foi criado para ser instrumento de democracia não deve ser convertido em mecanismo de opressão.” Dessa forma, em crontradição do exposto filosófico percebe-se que atualmente a mídia vem expressando um estereótipo corporal ideal, exibindo mulheres magras e com curvas e homens com o físico atlético e definido, gerando assim desconforto, preconceito por parte de uma parcela da população que não atinge esse padrão exposto.

Em segunda instância, além da pressão estética a aversão do corpo gordo alcança níveis estruturais que acabam limitando suas vidas e lhes causando mal-estar. Sob essa perspectiva, o filósofo francês Jacques Rousseau declara que “o homem nasceu livre, e em toda parte se encontra acorrentado”. Atualmente, é possível traçar um paralelo com esse pensamento, visto que a sociedade gorda atravessa grandes desafios pelo cotidiano, como catracas de ônibus, assentos de restaurantes, poltronas de avião, ou simplesmente no ato de comprar uma roupa, já que estes e outros ambientes não estão preparados, ou preocupados em atendê-las, deixando-as acorrentadas a essa realidade.

Portanto, cabe ao Ministério da Saúde, em consonância com órgãos midiáticos, viabilizar programas e campanhas de conscientização a respeito do ato de transformar em anomalia o indivíduo que sofre gordofobia, por meio de redes sociais e tendo como porta-vozes influenciadores e ativistas nacionais que lutam pela causa, para que o corpo gordo se desassocie da imagem de um corpo doente. Ademais, compete ao Estado garantir a inclusão social dos cidadãos que se encontram acima do peso, por meio de políticas públicas que garantam adesão destes aos espaços de convívio social, como por exemplo, a exigência das empresas de transporte uma adaptação em seus assentos e catracas, com o intuito de tornar o cotidiano desses indivíduos o mais confortável possível. Assim, torna-se possível a construção de uma sociedade cada vez mais justa e próxima de alcançar o bem-estar social.