Debate sobre a gordofobia no Brasil

Enviada em 17/08/2021

De acordo com o Artigo 1 da Declaração Universal dos Direitos Humanos- Adotada pela ONU em 1948- todos os seres humanos nascem livres em dignidade e direitos e devem agir uns para com os outros em espírito de fraternidade. Entretanto, lamentavelmente, não é esse espírito de fraternidade que se encontra no Brasil quando se trata do debate sobre excesso de peso e obesidade uma vez que as pessoas com sobrepeso constantemente sofrem preconceito e discriminação simplesmente por terem o corpo que têm. Dessa forma, a discussão sobre a gordofobia é essencial visto que esse preconceito não apenas compromete a saúde mental dos pacientes mas também dificulta o acesso a tratamento.

Deve-se pontuar, a princípio, que a gordofobia é um preconceito que encaixa um indivíduo em um esteriótipo negativo e inferior por causa de sobrepeso ou obesidade. Essa atitude intolerante e discriminatória não apenas menospreza um indivíduo como também pode trazer consequências negativas para a saúde mental que vão atormentá-lo a longo prazo e desestabilizá-lo emocionalmente. Nesse viés, o filme “O amor é cego” trata disso pois a personagem Rosemary é desrespeitada e desvalorizada por causa do seu peso e isso a afeta emocionalmente e traz inúmeras inseguranças quando ela conhece pessoas novas. Logo, é importante debater gordofobia pois não é aceitável julgar o valor de alguém, tampouco essa pessoa ser desreitada por causa de desinformação e preconceito.

Outrossim, o padrão de beleza exige magreza e a associa com saúde e bem-estar apesar desses aspectos não estarem clinicamente relacionados, pois nem todos os magros são saudáveis. Nessa perspectiva, a jornalista Alexandra Gurgel, criadora do canal “Alexandrismos” no youtube e autora do livro “Pare de se odiar”, fala no seu canal e em outras redes sociais a importância da aceitação do seu corpo e da boa relação com ele que em consequência trazem o autocuidado e uma procura pela saúde tanto física quanto mental, tendo como referência sua própria trajetória como mulher gorda. Logo, é necessário debater sobre gordura de forma acolhedora para incentivar a mudança nos hábitos para as pessoas serem saudáveis e não para terem uma estética aceitável socialmente.

Portanto, medidas devem ser tomadas a fim de difundir o debate sobre a gordofobia e esclarecer a diferença entre saúde e padrão de beleza. É necessário que o Ministério da Educação, em parceria com governos estaduais e municipais, promova debates, palestras e atividades lúdicas sobre obesidade, saúde e autocuidado- uma vez que atividades em grupo têm grande poder transformador- a fim de que a próxima geração respeite os corpos e o bem-estar dos outros indivíduos.Ademais, é necessário que a família desconstrua o estigma da obesidade e sobrepeso para que a história de Rosemary fique somente na ficção e as pessoas sejam devidamente respeitadas e inclusas socialmente.