Debate sobre a gordofobia no Brasil
Enviada em 16/08/2021
A cantora estadunidense Meghan Trainor, em sua música “All About That Bass”, em 2014, fala acerca da necessidade de empoderamento de mulheres que estão acima do peso e não se enquadram no padrão “Barbie” estabelecido na sociedade. Na composição, a autora reforça: “cada pedacinho do seu corpo é perfeito”. Embora tenha sido uma canção de muito sucesso, inclusive no Brasil, esse pensameno ainda não é realidade na população brasileira. Dessa maneira, torna-se fundamental o debate no que diz respeito à gordofobia, uma vez que cabe entender o comportamento da sociedade, potencializado pela mídia, bem como as consequências para as pessoas que sofrem esse preconceito.
Percebe-se, inicialmente, que a mídia tem fundamental importância na propagação dos ideais vigentes em uma sociedade. Essa questão ocorre, pois, tomando como base a “Indústria Cultural”, criada pelos sociólogos Adorno e Horkheim, no final do século XIX, para quem a produção artística se assemelha à ideia de produção em massa fabril, há um pensamento dominante a ser propagado, visando o lucro. Dessa forma, infelizmente, os padrões estéticos difundidos são mulheres altas, magras e qualquer corpo que não se adeque está fadado à exclusão. Por exemplo, os tradicionais concursos de beleza como o Miss Universo, que teve sua primeira edição em 1952, formaram o ideal de beleza presente na consciência popular e nele não há a presença de mulheres gordas.
Convém pontuar, ainda, que é inegável as dificuldades de aceitação que sofrem as pessoas acima do peso. Isso ocorre pois, como fora dito, não há representatividade e essa problemática gera problemas principalmente no âmbito da saúde mental. Segundo pesquisa realizada pela Nature Medicine, pouco mais de 40% de adultos obesos sofrem discriminação, o que afeta diretamente, uma vez que, de acordo com a Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e da Síndrome Metabólica (ABESO), cerca de 60% dos pacientes com obesidade sofrem algum tipo de distúrbio psiquiátrico. Portanto, indivíduos com alto índice de massa corporal vivenciam obstáculos com o preconceito, que podem, direta ou indiretamente, interferir em sua autoestima.
Portanto, é fundamental o debate acerca da gordofobia e desse modo, faz-se necessário o combate a esse preconceito. Para isso, o Ministério da Saúde, juntamente com a mídia, deve propor campanhas de conscientização acerca do assunto. Isso deve ser feito a partir de divulgação nos meios de comunicação, bem como nas mídias sociais, com o objetivo de extinguir a intolerância. Além disso, o MS precisa oferecer, amplamente, auxílio psicológico às vítimas de atitudes preconceituosas, por meio de consultas disponibilizadas nos postos de saúde, para que consequências psicológicas maiores não acontecam. Por conseguinte, que, como na canção, o corpo perfeito seja o seu próprio.