Debate sobre a gordofobia no Brasil

Enviada em 17/08/2021

No livro “Os 27 crushes de Molly” de Becky Albertalli, é retratada a vida de Molly Peskin, uma jovem gorda que sofre diariamente com o preconceito direcionado à seu corpo. Sendo alvo de comentários e olhares desagradáveis, a adolescente desenvolve inseguranças e baixa autoestima, ao acreditar que para se encaixar com outros era necessária a perda de peso. Fora da ficção, percebe-se que a realidade apresentada no livro é uma questão presente no corpo social desde os tempos medievais - tendo gula como fracasso moral no entendimento judaico-cristão - até os dias atuais, ao relacionar o aumento de peso à preguiça e descuido. Assim, nota-se que umas das principais causas da gordofobia no Brasil são: ignorância e a falta de atuação da mídia na representatividade de corpos gordos.

A princípio, percebe-se que tal ignorância é fruto da falta de empatia e de informação. Segundo Voltaire, filósofo francês, o preconceito é a opinião sem conhecimento, ou seja, a gordofobia é fruto de mentes de vazias e também da normalização desse ato de repúdio entre os indivíduos, sendo ele consciente ou inconsciente. A desinformação cria raízes dentro do ambiente de criação e se expande para locais de convivência, como rua, escola e trabalho, trazendo consequências físicas e psicológicas para as vítimas de discriminação.

Além disso, a falta de representatividade de pessoas gordas contribui para o reforço de estereótipos e o crescimento da gordofobia. A mídia, como principal meio de comunicação, tem a responsabilidade de exercer o papel expositor do preconceito contínuo e de seus efeitos, assim como dar mais espaço para a exibição de figuras gordas. Ao dar esse acesso à informação, o estigma ligado ao excesso de peso terá a oportunidade de ser dissipado e a consciência de muitos poderá ser refeita ao perceber e reconhecer as consequências de se impor um padrão e da retirada de conclusões acerca da saúde e estilo de vida de outras pessoas.

Em suma, é notável a necessidade da tomada de medidas para conter o avanço da problemática na sociedade brasileira. Destarte, cabe às instituições de ensino com o apoio do Ministério da Educação, dar suporte para as vítimas e trazer à tona o debate sobre a gordofobia no Brasil - feiras, palestras e seminários -, contribuindo com a desmistificação do  corpo com excesso de peso e diminuição do bullying, assim como também é necessário o ensino básico do respeito desde o berço. Ademais, a ação dos meios de comunicação é crucial para a denúncia e luta contra a discriminação, podendo expôr o preconceito e abrir espaço para discussões sobre o tema. Por fim, como solução final, é dever do Estado e do Ministério da Justiça criminalizar tais atos de ódio, desenvolvendo leis que punem os intolerantes.