Debate sobre a gordofobia no Brasil
Enviada em 17/08/2021
Segundo o artigo 1º da Declaração Universal dos Direitos Humanos, “Todos os indivíduos nascem livres e iguais em dignidade e direito”. Apesar disso, pessoas acima do peso no Brasil ainda são muito discriminadas, sendo alvos constantes de bullying e exclusão por parte da sociedade, fatores esses que estão ligados à: falta de representatividade na indústria midiática, a qual superestima e divulga apenas corpos magros, padronizados, e a banalização das causas do sobrepeso.
Em primeira análise, é evidente que a mídia, por meio das campanhas publicitárias, propandas e produtos, ainda estimula e destaca indivíduos com características estereotipadas, um exemplo disso é a boneca “Barbie”, um brinquedo famoso entre as crianças e na sociedade, que, mesmo com o passar dos anos, só apresenta um tipo de estética predominante: a de uma pessoa branca, alta e magra. Desta forma, constata-se que o corpo social acima do peso é excluído da população, isto é, não é representado, como mostra os dados divulgados pela 65/10 em parceiria com o grupo ABC, em que 48% das mulheres brasileiras estão com sobrepeso, mas 78% das retradas em anúncios publicitários são magras. Desse modo, a indústria midiática exclui as pessoas acima do peso e contribui para o fortalecimento da gordofobia.
Além disso, os fatores que geralmente levam ao aumento de massa corporal dos indivíduos são banalizados pelo senso comum, como o estresse, ansiedade, baixa autoestima e a depressão, ou seja, doenças que ainda são fortemente estigmatizadas e tratadas como “frescura”, uma vez que nos dias de hoje, a sociedade, por meio das redes sociais, impõe um papel de “vida perfeita” às pessoas, sem o espaço de haver erros ou outros sentimentos, como o de infelicidade e insatisfação. Segundo dados divulgados pela Organização Mundial da Saúde(OMS), em 2017, mais de 11,5 milhões de brasileiros sofreram com a depressão, sendo o país com mais acometidos por essa enfermidade na América Latina. Mostrando, deste modo, que as patologias relacionadas à obesidade devem ser encaradas de modo sério, com o fim de ambas as doenças serem livres de jugamentos e preconceitos.
Portanto, depreende-se a relevância de eliminar a gordofobia no país. Para que isso ocorra, é necessário que o governo federal proporcione a inclusão daqueles que estão acima do peso no Brasil, por meio de anúncios publicitários que não contenham apenas indivíduos com caracteristicas padronizadas e o oferecimento de tratamentos psicológicos de qualidade à população, a fim de que o estigma à doença seja enfraquecido e todos os seres humanos sejam efetivamente tratados como iguais, assim como afirma a Declaração Universal dos Direitos Humanos.